terça-feira, abril 28, 2009

Data do novo Enem é 3 e 4 de outubro

 

Da Agência Brasil

O novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que deverá fazer o papel de vestibular unificado para as universidades federais, já tem data marcada: 3 e 4 de outubro. O cronograma apresentado nesta quarta-feira (8) aos reitores das instituições prevê a divulgação dos resultados da prova objetiva em 2 de dezembro e da redação em 8 de janeiro de 2010. Pelos cálculos do Ministério da Educação (MEC), o novo exame deverá ter a participação de 4 a 5 milhões de estudantes, em vez dos atuais 3 milhões.

  • A partir da divulgação dos resultados, o aluno irá se inscrever em um sistema online a partir do número do CPF. O sistema que será semelhante ao usado na seleção de bolsas do Prouni (Programa Universidade para Todos). O estudante deverá escolher cinco opções de cursos, que podem ser em uma mesma universidade ou em instituições federais diferentes. A partir dessa inscrição, o candidato poderá monitorar diariamente como está a concorrência para os cursos escolhidos. Ele poderá alterar, a qualquer momento, a opção que pretende disputar.
    "Na prática, o estudante concorre a todas as vagas das universidades federais. A partir do momento que ele percebe que suas chances são menores em um curso específico, ele pode migrar", explicou o ministro da Educação, Fernando Haddad. Caso o estudante não seja selecionado para o curso que marcou como prioridade, ele pode ser aprovado para a sua segunda opção, de acordo com a sobra de vagas.
    Segundo o ministro, esse sistema só poderá ser utilizado pelas universidades que adotarem o Enem como prova única de seleção. Ou seja, aquelas que quiserem aplicar uma segunda fase além do exame nacional não incluirão as suas vagas nesse sistema. "Se a primeira opção do aluno é um curso em que é exigida mais uma fase, ele poderá ser prejudicado, porque, se ele não passar na segunda fase, aquela vaga que ele marcou na segunda opção já terá sido preenchida", disse.
    Haddad ressaltou que os modelos de avaliação seriada adotados por algumas instituições, como a UnB (Universidade de Brasília), não ficam impedidos de existir com o sistema unificado. A universidade poderá reservar parte das vagas para essas formas de seleção, bem como para as políticas afirmativas de cotas.
    O sistema permitirá ainda que a instituição atribua pesos distintos às notas do aluno nas diferentes provas do Enem. O mecanismo já é usado por algumas seleções que dão maior peso ao resultado das provas da área de exatas, por exemplo, ao selecionar um aluno para o curso de engenharia.
    O novo Enem será formado por quatro provas e uma redação que devem ser aplicadas em dois dias. A idéia é que sejam realizados testes de linguagens e códigos, matemática, ciências naturais e ciências humanas, cada um com 50 itens.
    Um termo de referência com todos detalhes técnicos foi entregue ontem aos reitores que irão discutir nas universidades se vão aderir ao novo Enem como forma de seleção em substituição ao vestibular. De acordo com Haddad, o ministério ainda não contabilizou quantas instituições manifestaram esse interesse. Mas ele voltou a afirmar que a proposta tem sido bem aceita.
    "As instituições têm toda a liberdade para não aderir, aderir como unificado ou aderir parcialmente. Acho que o debate amadureceu nos últimos anos ", avaliou. Também já foi criado um comitê de governança que será responsável pela criação desse novo modelo de vestibular. Fazem parte do grupo as universidades federais, os secretários estaduais de Educação e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável pelo Enem.
    Nesta quarta (8), o ministro se reuniu com a presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Maria Auxiliadora Seabra, para apresentar o novo modelo. Segundo ele, a proposta foi recebida com "satisfação" porque as mudanças pensadas para o ensino médio não podiam sair do papel, uma vez que a etapa era muito voltada ao atual modelo de vestibular. "Finalmente será possível fazer a reestruturação do ensino médio, que hoje é completamente subordinado a um processo [os vestibulares] de que eles [secretários de Educação] não participam", afirmou.
    Na próxima semana, Haddad se reunirá mais uma vez com os reitores das universidades federais para acompanhar a aceitação da proposta.
    Amanda Cieglinski

    UOL

    O novo Enem no vestibular

    23/04/2009 - 15h35

     

    Da Redação
    Em São Paulo

    A Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) decidiu que vai utilizar o novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) na seleção de estudantes para 2010. O Conselho Universitário da instituição aprovou o novo formato na última quarta-feira (22). Cada curso deverá definir a forma de utilização até o fim de maio.

  • "Espero que seja o fim do vestibular tradicional", diz ministro
  • Federais terão quatro maneiras de usar o Enem
  • Enem poderá preencher vagas ociosas
  • Faculdades particulares e estaduais podem aderir ao novo Enem
  • O que você achou do novo Enem?
  • Vestibular unificado será mais democrático

    No próximo mês, os coordenadores de cada curso, junto dos professores, avaliarão se o resultado do Enem será utilizado no processo de seleção de forma única ou se servirá como a primeira fase para o ingresso, oferecendo ao estudante uma forma mista de avaliação.
    Após a definição de cada curso, a decisão será oficializada pelo Conselho de Graduação. O novo modelo já será aplicado a partir do próximo ano.
    "Este é um importante passo na democratização do ensino superior. Nesta nova administração vamos trabalhar para que o acesso ao ensino público e de qualidade seja estendido a todos os interessados", afirma Walter Manna Albertoni, reitor da instituição.

    Como será a implantação
    A implantação do novo modelo será realizada pela Pró-Reitoria de Graduação, dirigida pelo pró-reitor professor Miguel Roberto Jorge. "Vamos participar desta experiência e, se necessário, ajustar posteriormente o modelo para que sua aplicação seja a mais adequada possível. Cursos mais antigos e disputados - como o de medicina - provavelmente deverão adotar o Enem como primeira fase de seu vestibular, mas outros cursos da Unifesp poderão preferir adotar o Enem como fase única", explica o pró-reitor.
    De acordo com ele, o novo modelo será uma alternativa interessante e viável para trazer mais estudantes a cursos que passaram a ser fornecidos nos últimos anos pela Unifesp, dentre eles, serviço social (campus Santos), letras-português (campus Guarulhos), tecnologias oftálmica e radiológica (campus Vila Clementino) e matemática computacional (campus São José dos Campos).
    O novo Enem
    O novo Enem está marcado para outubro e deve contar com 200 questões e uma redação. O aluno terá dois dias para realizar a prova, que será válida por três anos.
    No novo modelo de ingresso, o candidato optará por concorrer em até cinco opções de cursos e instituições de sua preferência (desde que eles tenham feito opção por utilizar o Enem como fase única de seu vestibular), independentemente do local de sua residência. Não é necessário haver vinculação entre as opções, assim o candidato poderá escolher cursos diferentes em instituições distintas.
    UOL

  • quarta-feira, março 18, 2009

    China preocupa-se com segurança dos empréstimos que fez aos EUA

     

    A Casa Branca asseverou oficialmente à China que “não existe aplicação mais segura no mundo” para as reservas de divisas do país asiático e pediu encarecidamente a Pequim que continue emprestando, em reação às preocupações manifestadas pelo primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, na semana passada, sobre a sorte de centenas de bilhões trocados por títulos do Tesouro dos EUA e papéis norte-americanos. “Para ser sincero, estou um pouco preocupado”, afirmou Jiabao, no último dia da sessão anual do pleno do parlamento chinês, na sexta-feira 13. “Já emprestamos muito dinheiro aos Estados Unidos”, acrescentou.

    Sem esse dinheiro, os EUA não teriam como financiar seu déficit, que este ano, em decorrência da crise e da falta de poupança interna, chegará a 12% do PIB. A otimista declaração de que “não existe aplicação mais segura no mundo” foi feita pelo porta-voz Robert Gibbs. Desde setembro, a China ultrapassou o Japão como o maior credor dos EUA.

    Nessa mesma entrevista, Jiabao havia reiterado que “é claro que estamos preocupados com a segurança de nossos ativos”. Afinal, somente em títulos do Tesouro e outros papéis o montante de dinheiro chinês emprestado aos EUA ultrapassa os US$ 727 bilhões. Diz-se até que o banco de hipotecas Freddie Mac só não faliu porque era “too chinese to fail” – “demasiado chinês para quebrar”. Também querendo tranqüilizar Pequim, o diretor do Conselho de economistas da Casa Branca, Lawrence Summers, garantiu que Washington “é um zeloso guardião” das reservas da China.

    Prevendo um déficit de 1,752 trilhão de dólares para o exercício fiscal 2008-2009 que finaliza em setembro, agravado por medidas excepcionais tomadas para sustentar a economia americana, o governo dos EUA dificilmente pode dispensar os empréstimos apor-tados pela China.

    sábado, março 14, 2009

    Encontro do Conselho de Defesa da Unasul


    Conselho condiciona presença dos EUA ao fim
    do bloqueio a Cuba

    Os ministros de Defesa dos 12 países da União de Nações Sul-americanas, Unasul, puseram oficialmente em funcionamento o Conselho de Defesa do organismo regional, para promover a cooperação entre as distintas forças armadas, gerar operações de paz conjuntas e dar transparência aos gastos militares.

    Em declaração anexa acordaram impulsionar uma luta coordenada contra o narcotráfico. Observadores assinalaram que, desta forma, se coloca uma barreira à política intervencionista dos EUA, que usam o pretexto de combate ao narcotráfico para manter tropas e bases em alguns países e realizar ações de espionagem.

    Os ministros da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela foram recebidos no palácio de La Moneda pela presidente Michelle Bachelet, cujo país exerce a presidência pro-tempore da Unasul.

    Ao inaugurar o primeiro Conselho, o ministro chileno de Defesa, José Goñi, precisou que se trata de “um mecanismo para gerar nossas opiniões, nossas visões e nosso próprio plano de ação em assuntos de defesa”. Esclareceu, ainda, que o CDS não quer nenhuma semelhança com a OTAN, mas tem como objetivo “dar vida a uma aliança que fortaleça a confiança mútua mediante a integração, o diálogo e a cooperação em matéria de defesa. É uma zona de paz, base para a estabilidade democrática e o desenvolvimento integral dos povos”.

    Em sua primeira declaração, o Conselho de Defesa Sul-americano condicionou a possibilidade de que os Estados Unidos ingressem como observadores a esta instância a que Washington mude sua relação com Cuba.

    A posição, aprovada pelos 12 ministros participantes, foi apresentada pelo ministro de Defesa do Brasil, Nelson Jobim, que afirmou que “a mudança das relações dos EUA com Cuba é uma condição para uma nova apresentação desse país na região”, assegurando que assim o expressou ao chefe do Estado Maior Conjunto norte-americano, Mike Mullen, que visitou o Brasil, Chile e Colômbia, na semana passada.
    A ministra argentina, Nilda Garré, coincidiu em que “Cuba é um tema pendente para a região” e acrescentou que a nova administração americana “tem uma oportunidade para acabar com essa situação injusta e discriminatória”.

    Walter San Miguel, ministro boliviano de Defesa, perguntado sobre o bloqueio norte-americano, assinalou que se trata de medidas contra o povo cubano e sublinhou que “nós não concordamos com medidas hegemônicas”.

    Os 12 ministros da área reiteraram que os EUA não poderão mudar “sua carta de apresentação” ante a região, enquanto mantenham o bloqueio econômico a Cuba.

    MAssacre em GAZA _Carta Maior

    Réquiem por Israel?
    Uma leitura atenta dos textos dos sionistas fundadores do Estado de Israel revela tudo aquilo que o Ocidente hipocritamente ainda hoje finge desconhecer: a criação de Israel é um ato de ocupação e como tal terá de enfrentar para sempre a resistência dos ocupados; não haverá nunca paz, qualquer apaziguamento será sempre aparente, uma armadilha a ser desarmada. O artigo é de Boaventura Sousa Santos.
    > LEIA MAIS | Internacional | 12/01/2009

    A água (que ninguém vê) na guerra
    Na guerra do momento - Israel em Gaza -, por que a mídia não fala sobre a água - um dos itens mais importantes dos conflitos no Oriente Médio? Embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, detém o controle dos suprimentos de água, tanto seus como da Palestina. Além de restringir o uso d'água, luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural.
    > LEIA MAIS | Internacional | 11/01/2009

    Gaza: mais um capítulo no holocausto palestino
    Após 13 dias de massacre, 763 palestinos já morreram e mais de 3200 foram feridos. Um terço das vítimas são crianças. O lado israelense, no mesmo período, perdeu 10 vidas, 8 dos quais são soldados. Estamos falando de dois povos, um invadido e ocupado militarmente pelo outro. Um tem o 4º exército mais forte do planeta. O outro nem exército tem. A análise é de Mohamed Habib, professor e Pró-reitor de Extensão da Unicamp e vice-presidente do Instituto da Cultura Árabe.
    > LEIA MAIS | Internacional | 11/01/2009

    Em nome dos palestinos
    É hora de pôr em marcha um movimento internacional, global, de resistência não violenta à política violenta e extremista do Estado de Israel. É preciso mobilizar a opinião pública, difundindo uma informação rigorosa e permanente sobre a situação da população palestina, multiplicando os artigos, as conferências e as manifestações de apoio ao povo palestino. O artigo é de Tariq Ramadan.
    > LEIA MAIS | Internacional | 09/01/2009

    Atos de protesto e manifestações de solidariedade multiplicam-se em várias cidades brasileiras. Na quinta-feira, no Rio de Janeiro, manifestantes jogaram sapatos nas paredes do Consulado dos Estados Unidos. No domingo, será realizada uma Marcha contra o Massacre de Israel, em São Paulo. Editores de revistas da América Latina e da Europa divulgam manifesto de solidariedade ao povo palestino e de repúdio à política de Israel.
    > LEIA MAIS | Internacional | 09/01/2009

    ANÁLISE DA NOTÍCIA
    A semântica da guerra
    A ofensiva de Israel em Gaza já trouxe uma peculiaridade para a linguagem jornalística que mostra algo sobe sua natureza. E essa marca jaz nos adjetivos. Duas das expressões mais utilizadas nos jornais são "carnage" (abate de animais para alimentação) e "onslaught", sinônimo de "furious attack" (ataque furioso). De novo, o termo vem da matança de animais (“slaughter”) e, no contexto bélico, se aplica a uma situação em que um dos contendores mata indiscriminadamente pessoas do outro lado.
    > LEIA MAIS | Internacional | 09/01/2009

    GIDEON LEVY
    Os que apóiam essa guerra apóiam o horror
    Quem justifica essa guerra justifica todos os crimes. Quem prega mais guerra e crê que haja justiça em assassinatos em massa perde o direito de falar de moralidade e humanidade. Esse tipo de atitude é perfeita representação das duas caras de Israel, sempre alertas, ao mesmo tempo: praticar qualquer crime, mas, ao mesmo tempo, auto-absolver-se, sentir-se imaculado aos próprios olhos. O artigo é do jornalista israelense Gideon Levy.
    > LEIA MAIS | Internacional | 09/01/2009

    Israel viola Convenção de Genebra, diz relator
    da ONU

    "Os ataques israelenses ferem a Convenção de Genebra primeiramente porque punem coletivamente os palestinos residentes em Gaza, não fazendo distinção entre alvos civis e combatentes", disse nesta quarta-feira, em São Paulo, Richard Falk, relator especial das Nações Unidas para a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados por Israel desde 1967. Segundo Falk, o bloqueio econômico mantido por Israel há 18 meses também está em desacordo com o direito internacional.
    > LEIA MAIS | Internacional | 07/01/2009

    Jornalista inglês denuncia mentiras de Israel
    Em artigo publicado no "The Independent", Robert Fisk acusa governo israelense de contar mentiras para tentar justificar as atrocidades cometidas em Gaza. “O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham se preocupado em poupar civis", escreve.
    > LEIA MAIS | Internacional | 07/01/2009

    Estudantes israelenses presos por rejeitar alistamento pedem ajuda
    No dia 18 de dezembro de 2008 foi iniciada uma campanha mundial em apoio aos estudantes israelenses presos por rejeitarem o alistamento no exército, por objeção de consciência. Os Shministim defendem um futuro de paz entre israelenses e palestinos e criticam a ação de seu país nos territórios ocupados. Eles esperam receber centenas de milhares de mensagens de apoio que serão entregues ao ministro da Defesa de Israel.
    > LEIA MAIS | Internacional | 07/01/2009

    "Quantos mortos ainda para vocês se sentirem cidadãos de Gaza?"
    Quem é mais anti-semita, aqueles que viciaram Israel ano após ano durante sessenta anos, até desfigurá-lo ao ponto de fazê-lo o país mais perigoso do mundo para os judeus ou aqueles que os advertem de que o Muro marca um gueto de dois lados? É anti-semita reler Hannah Arendt hoje, em que nós, os palestinos, somos a escória da terra, é anti-semita voltar a iluminar essas páginas sobre o poder e a violência? O artigo é de Mustapha Barghouthi, secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestina.
    > LEIA MAIS | Internacional | 06/01/2009

    Imagens de Gaza à espera de Obama
    Israel e seus aliados nos EUA parecem certos de que com o fato consumado em Gaza, Barack Obama vai cair numa armadilha, tornando-se refém da mesma política ditada pelos neoconservadores a Bush. Resta saber até que ponto o governo Obama estará comprometido com a mudança que o candidato pregou na campanha. A análise é de Argemiro Ferreira em seu artigo de estréia na Carta Maior.
    > LEIA MAIS | Internacional | 05/01/2009

    Venezuela expulsa embaixador de Israel por massacre em Gaza
    O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela anunciou nesta terça-feira (6) a expulsão do embaixador Shlomo Cohen em resposta à ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza. Presidente Hugo Chávez acusa Israel de genocídio e chama soldados israelenses de "covardes".
    > LEIA MAIS | Internacional | 06/01/2009

    TRAGÉDIA EM GAZA
    Fim da era Bush e eleição em Israel: uma das faces obscenas do massacre
    O ataque a Gaza é uma tentativa de última hora de mudar as relações de forças no Médio Oriente, antes do fim da era Bush, nos EUA. E tem uma dimensão obscena: as centenas de vítimas dos bombardeios são vítimas colaterais da campanha eleitoral em Israel.Para aumentar o seu apoio popular antes das eleições, todos os líderes israelenses estão competindo para ver quem é o mais duro e quem está disposto a matar mais. A análise é de Michael Warschawski.
    > LEIA MAIS | Internacional | 31/12/2008

    Internet ajuda a furar bloqueio midiático imposto
    por Israel

    Israel proibiu a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza. Isso não vem impedindo que as imagens do massacre contra a população civil de Gaza circulem diariamente pelo mundo. A eficácia do bloqueio midiático diminuiu significativamente graças à internet. Os vídeos e fotos da rede Al Jazeera são reproduzidos por toda parte. Quem quiser, pode também ter informações direto de Gaza, pelo blog "Moments of Gaza", mantido por Natalie Abou Shakra (foto).
    > LEIA MAIS | Internacional | 06/01/2009

    A mídia em Israel toca as trombetas da guerra
    Historiador do futuro que algum dia examine os arquivos dos jornais de Israel verá com clareza absoluta: para Israel, 200, 300 e, depois, 400 palestinos assassinados 'não é' manchete. A mídia em Israel é "poupada" de ter de exibir imagens "fortes". Israel abraça e sempre abraçará qualquer guerra, qualquer barbárie. Israel crê-se tão poderosa que se brutalizou, que já não sente. Em Israel a barbárie é regente. A análise é do jornalista israelense Gideon Levy.
    > LEIA MAIS | Internacional | 02/01/2009

    Sangue em nossas mãos
    As pessoas que jogam nossas bombas não ficam manchadas com sangue. Nosso sistema é simples: não há necessidade de evidência para um julgamento. Uma vez decidamos que alguém é alvo, jogamos uma bomba e ele se foi. Recentemente, o exército adquiriu permissão para matar civis que estejam próximos de um alvo. Isso foi publicado na imprensa, junto à foto de uma sorridente comandante do exército. O artigo é de Shulamit Aloni, ex-ministra da Educação de Israel.
    > LEIA MAIS | Internacional | 06/01/2009

    Professores repudiam ataque contra Universidade de Gaza
    Documento organizado por intelectuais e professores universitários de vários países condena massacre da população da Faixa de Gaza e ataque desferido pelo exército de Israel contra a Universidade Islâmica de Gaza. “Usa-se o mesmo sofisma com o qual se ataca o povo de Gaza: os estudantes e os professores da Universidade seriam do Hamas, o mesmo pretexto dos regimes fascistas para decretar a morte da cultura", diz a carta.
    > LEIA MAIS | Internacional | 05/01/2009

    Esquerda palestina pede fim das divisões e unidade contra Israel
    Organizações da esquerda palestina divulgam comunicado defende fim das divisões internas e retomada do diálogo para unificar resistência contra ataques de Israel. "Não é suficiente repetir palavras; precisamos de fatos concretos, um movimento urgente, passos precisos e sérios, que conduzam ao imediato e desejado diálogo unificado", diz o documento.
    > LEIA MAIS | Internacional | 05/01/2009

    Carta aberta de Uri Avnery a Barack Obama
    O ex-deputado do Parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz, Uri Avnery, redigiu uma carta aberta ao presidente eleito dos EUA, Barack Obama, sugerindo que o novo governo comece a agir pela paz israelense-árabe a partir do primeiro dia. "Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de falarem sobre paz da boca para fora, e às vezes realizarem gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço", diz Avnery.
    > LEIA MAIS | Internacional | 30/12/2008

    EUA e União Européia são cúmplices do massacre
    em Gaza

    Os palestinos assassinados são trunfo eleitoral, numa disputa cínica entre a direita e a extrema-direita israelenses. Seus aliados em Washington e na União Européia, perfeitamente informados de que Gaza estava para ser atacada, exatamente como no caso do Líbano em 2006, sentaram e esperaram. A análise é de Tariq Ali.
    > LEIA MAIS | Internacional | 31/12/2008

    Editorial CLACSO: Gritando contra o horror
    O que está acontecendo em Gaza é um massacre que atenta contra os mais elementares direitos humanos, arrancando sem compaixão toda esperança de paz em uma das regiões mais injustas do planeta. Um massacre que pretende, pela prepotência de bombardeios assassinos, negar o direito dos palestinos a um Estado independente.
    > LEIA MAIS | Internacional | 31/12/2008

    Gaza e os vestígios de um deus rancoroso e feroz
    Desde o dia 9 de dezembro os caminhões da agência das Nações Unidas, carregados de alimentos, aguardam que o exército israelense lhes permita a entrada na faixa de Gaza, uma autorização uma vez mais negada ou que será retardada até ao último desespero e à última exasperação dos palestinos famintos. Nações Unidas? Unidas?
    > LEIA MAIS | Internacional | 31/12/2008

    quarta-feira, março 11, 2009

    China quer crescimento com base na demanda interna

     

    A China adotará o desenvolvimento do mercado interno como estratégia de longo prazo e tomará novas medidas para impulsionar o consumo e revitalizar a economia do país, afirmou o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, em seu informe à sessão de abertura da XI Assembléia Popular Nacional. Para este ano, a meta é de um crescimento de 8% do PIB e de criação de 9 milhões de empregos, e no final do ano passado a China anunciou um gigantesco plano de obras em infra-estrutura, bancado com recursos do governo e das estatais, já em execução.

    Jiabao apontou que a China promoverá com papel destacado a demanda interna, para a retomada do crescimento econômico, desacelerado no último período devido à redução das exportações. Ele ressaltou que o governo chinês contribuirá de forma ativa para maior desenvolvimento do mercado interno, aumentando os ingressos da população, estimulando a compra de automóveis e o desenvolvimento da área rural.
    Também será estimulada a construção civil, oferecendo moradia adequada às famílias com baixo poder aquisitivo, e acelerando a reconstrução das áreas afetadas pelo terremoto ocorrido na província de Sichuan em maio do ano passado, assinalou o primeiro-ministro chinês.

    Sarkozy: México é 'primeiro país da América Latina'

     

     

    CIDADE DO MÉXICO (AFP) — O presidente da França, Nicolas Sarkozy, definiu nesta segunda-feira o México como "o primeiro país da América Latina", e pediu a seu governo que não se encerre em "relações exclusivas", em alusão aos Estados Unidos.

    Em discurso no Senado mexicano, como parte de uma visita oficial de 24 horas, Sarkozy opinou que o "México é um país com mais responsabilidade do que se possa pensar às vezes" em assuntos internacionais.

    O México é a segunda economia regional depois do Brasil com ambos os países competindo pela liderança na América Latina.

    Ambos, junto com a Argentina, fazem parte dos principais países emergentes a integrarem o Grupo dos 20, conformado também por nações mais industrializadas, e que se reunirá no dia 2 de abril em Londres.

    Antes do encontro, em Londres, Sarkozy defendeu a "mudança do capitalismo para que seja de empresários, não de especuladores".

    "Teremos que impor as mudanças em Londres", disse o presidente francês em sua alocução no Senado.

    O México, que compartilha uma fronteira de 3.000 km com os Estados Unidos, destina a esse país quase 80% de seu comércio.

    Copyright © 2009 AFP. Todos os direitos reservados.

    Evo expulsa golpista da embaixada dos EUA

     

    O presidente da Bolívia, Evo Morales, ordenou, na segunda-feira, dia 9, a expulsão do país do mexicano-estadunidense Francisco Martínez, funcionário da Embaixada dos Estados Unidos em La Paz. O presidente denunciou Martínez por suas ações em conjunto com a oposição separatista num plano golpista contra seu governo entre agosto e setembro passados.

    “Francisco Martínez era o contato com o grupo de opositores durante todo o processo de conspiração”, argumentou Morales durante o ato de posse do novo comandante da Polícia boliviana, general Víctor Hugo Escobar, acrescentando que “tentaram de tudo para impedir a nova Constituição, buscaram insuflar a população contra o governo, e dividir o país. São setores fascistas e não vamos permitir que agentes estrangeiros atuem no nosso país”.

    Depois de explicar os contatos de Martínez com os governadores de oposição, “hoje decidi declará-lo persona non grata e peço ao chanceler (David Choquehuanca) comunicar a decisão ao escritório da Secretaria de Estado dos Estados Unidos em La Paz”, disse Morales.

    Martínez, que deverá abandonar o país andino no prazo de 48 horas, é o segundo funcionário expulso da embaixada americana na capital boliviana, depois do embaixador Philip Goldberg, em setembro último.

    O agente foi também acusado de manter relação com Rodrigo Carrasco, um ex-policial boliviano formado em centros estadunidenses em inteligência, segurança, comunicações e política, infiltrado na estatal petroleira da Bolívia (YPFB).

    Carrasco, destituído da YPFB, “é um impostor. Ingressou com um título de engenheiro comercial quando não era nada disso, trabalhou no esquema norte-americano no Iraque, fez mais de 20 viagens aos EUA. Não sei como contratam essa classe de pessoas. Ele penetrou nos altos mandos da estatal, mantendo contatos permanentes com a embaixada dos EUA para realizar operações encobertas, sabotagem. Manteve-se lá durante muito tempo, roubou documentos, armou contra a empresa e contra o governo”, afirmou Evo.

    O presidente disse que ficou claro, só agora, à luz dessas informações, a escassez de combustíveis que ocorreu no país entre agosto e setembro últimos, quando grupos de separatistas estouraram gasodutos, tomaram aeroportos e escritórios do Estado nas cidades de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, cujas autoridades se opõem ao governo nacional.

    No final de janeiro, o presidente da YPFB, Santos Ramírez, foi destituído da sua função na presidência da YPFB por conciliar com a corrupção e com ações de sabotagem.

    Para Calderón, o problema do narcotráfico no México é causado pelo alto consumo de drogas norte-americano

     

    O presidente do México, Felipe Calderón, afirmou, na quinta-feira, dia 5 de março, que a principal causa dos problemas com o narcotráfico que enfrenta esse país, e que têm causado mortes e enfrentamentos violentos em vários estados, é a falta de controle do consumo de drogas nos Estados Unidos. Declarou também que não aceita a pressão para negociar com os cartéis para – hipoteticamente - diminuir a violência.
    Em entrevista difundida pelo jornal francês “Le Monde”, o mexicano, que não se caracteriza por desenvolver uma política independente da Casa Branca, disse que “se os Estados Unidos não fossem o maior mercado de drogas do mundo, não teríamos este problema”.

    Calderón assinalou ainda como um elemento muito prejudicial o comércio de armas, com a particularidade de que “a esmagadora maioria” das confiscadas no México tinham sido compradas no país vizinho, “incluído material que é propriedade exclusiva do exército estadunidense”.

    Nesse aspecto, condenou que o governo Bush houvesse levantado em 2004 a proibição de vender armas consideradas muito perigosas.

    O presidente, que chegou ao governo com o apoio de Washington, considerou que enquanto os EUA não mudem sua própria legislação, o México se converteria “no paraíso da droga e do crime”.

    O vice-ministro de Relações Exteriores mexicano, Carlos Rico Ferrat, também denunciou que parte do fracasso da luta contra o tráfico de armas na fronteira, se deve a que funcionários dos estados fronteiriços estadunidenses, mantém vínculos com o crime organizado do México.

    As afirmações do funcionário mexicano coincidiram com o começo de um julgamento em Arizona, nos Estados Unidos, de um empresário acusado de vender mais de 600 armas de fogo ao cartel de Sinaloa, um dos mais poderosos no México.

    terça-feira, dezembro 02, 2008

    Xiii... Deu branco!

     

    O enfrentamento das provas dos vestibulares mais concorridos do país talvez seja o primeiro grande desafio profissional dos jovens. É fácil mensurarmos esse desafio: a conquista de uma vaga em uma universidade pública no curso de medicina, por exemplo, significa obter um prêmio de cerca de R$ 225.000,00 – preço médio que o aluno pagaria pelo curso em uma universidade particular. Um candidato que não apresentar um grau de excelência nos quesitos técnico (conhecimento do conteúdo programático) e psicológico (administrar a ansiedade no momento da prova) terá sérias dificuldades para obtenção de êxito. Nesse espaço, estou preocupado com o equilíbrio psicológico. Por que tanta gente “derrapa” no momento da prova? O que faz com que candidatos capacitados em termos de conhecimento fiquem tão nervosos que não consigam reverter em pontos o que sabem – têm brancos e sensações físicas como: taquicardia, suor excessivo, tremores, entre outros?
    Inicio a reflexão sobre isso com um pensamento:

    “Os homens são perturbados não pelas coisas em si, mas pelo que pensam sobre elas”. (Epitectus, 70 a.C.)

    Exatamente isso. São os pensamentos que contam. Sempre que você experimenta um estado de ansiedade intensa, existem pensamentos que definem e fortalecem esse estado. Alguns leitores podem estar questionando se é possível os pensamentos produzirem as reações físicas observadas durante o nervosismo. Não é difícil comprovarmos isso: imagine um limão bem suculento. Agora, mentalmente corte esse limão, pegue uma das metades e esprema-a em sua boca. Se você fez esse exercício com concentração, provavelmente salivou. Isso comprova que os pensamentos produzem reações físicas. Mas como isso pode ocorrer durante a prova? Observe:

    batimento cardíaco um pouco aumentado
    (reação física)

    estou ficando nervoso
    (pensamento)

    respiração superficial e aceleração dos batimentos cardíacos
    (reações físicas)

    não estou me lembrando de nada, não vou conseguir
    (pensamento)

    respiração mais superficial e menos oxigênio para o cérebro
    (reações físicas)

    eu sabia que ia ficar nervoso, me deu branco!
    (pensamento)

    Observe que uma seqüência de pensamentos intensificou as reações físicas e culminou no famoso branco. Mas como impedir que isso aconteça? É importante que você identifique o que está pensando e verifique a veracidade dos seus pensamentos antes de agir:

    batimento cardíaco um pouco aumentado
    (reação física)

    estou ficando nervoso
    (pensamento)

    é perfeitamente comum ficar um pouco nervoso no início de uma prova. Tenho certeza de que quem está levando essa prova a sério também está nervoso.
    (pensamento compensador)

    .............

    não estou me lembrando de nada, não vou conseguir
    (pensamento)

    é impossível se lembrar de tudo. Não me lembrar de alguns assuntos não quer dizer que eu não vou conseguir. Vou dar o máximo de mim.
    (pensamento compensador)

    Estar vigilante aos pensamentos e considerar o maior número possível de ângulos de um determinado problema pode levar a pessoa a novas conclusões e desfechos. É importante ter em mente que:

    • se para ter paz, você precisa da certeza de que irá passar, então você nunca terá paz, pois essa certeza é impossível;

    • se para ter paz, você precisa lembrar-se de tudo, então você jamais terá paz, pois é impossível se lembrar de tudo;

    • se para ter paz, você acredita ser necessário dar tudo certo no dia da prova, então você não terá paz. É perfeitamente possível que algo dê errado sem que isso o prejudique a ponto de impedir a conquista de sua vaga.

    Embora a identificação e a modificação dos pensamentos sejam um ponto central para a diminuição da ansiedade, colocá-las em prática exige treino e vigilância. Treine bastante e boas provas!

    Celso Lopes de Souza

    • Médico formado pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP).

    • Membro do grupo de estudos de TDAH (Transtorno do Déficit da Atenção/ Hiperatividade) da UNIAD/UNIFESP.

    • Ministra palestras na área de psiquiatria – incluindo o tabagismo.
    • Autor de artigos técnicos sobre os mecanismos cerebrais de dependência da nicotina, além de dirigir uma clínica antitabagista.
    • Autor do livro
      A Última Tragada, publicado pela editora HARBRA.

    sábado, outubro 25, 2008

    Aulas de adaptação para imigrantes é apartheid, acusa revista italiana Famiglia Cristiana


    Quinta-Feira - 23/10/2008

    A revista italiana Família Cristã, uma das mais importantes publicações italianas voltadas ao público católico, divulgou matéria condenando  a proposta de aulas de adaptação para crianças imigrantes, definido-as como "aulas-gueto" e "a primeira medida racial do Parlamento". Segundo a Revista, "A moção aproxima perigosamente a escola da segregação e da discriminação".

    Em agosto passado, a Revista, vinculada  à Società Apostolato San Paolo, criou uma forte polêmica ao destacar, em editorial, que a Itália corria o risco de retornar ao fascismo. O texto, assinado por Beppe Del Colle, apontando vários argumentos para indicar o renascimento do fascismo em função de medidas tomadas pelo atual governo, levou o Vaticano a negar que a publicação tivesse habilitação para exprimir o pensamento da Santa Sé.  A revista é acusada por políticos de centro-direita de seguir a cartilha do comunismo.

    Agora, reagindo à intenção do governo de criar classes especiais para imigrantes, a revista frisa que  “o problema da inclusão dos estrangeiros na escola é real, mas as respostas não são de integração. Quem pensa em um 'desenvolvimento separado' na Itália, saiba que esse conceito em outra língua se chama apartheid".

    Ainda conforme a famiglia Cristiana, oO governo poderia substituir e derrubar (por amor à pátria) a primeira moção racial aprovada pelo Parlamento italiano. Ou observar experiências como em Florença, onde um ônibus leva as crianças estrangeiras da escola para aulas de italiano e depois as leva de volta às salas de aula."

    A medida do governo  prevê que as crianças imigrantes, além da língua italiana, devam aprender o respeito às tradições territoriais e regionais, à diversidade moral e à cultura religiosa do país que as acolhe, o apoio à vida democrática e a compreensão de direitos e deveres. "Alguém sabe dizer como explicar isso a uma criança de 5 ou 6 anos, que deve ainda aprender italiano?", questionou a revista.

    Família Cristã recordou que, nos anos 60, quando crianças napolitanas, calabresas ou sicilianas iam à escola em Novara (cidade da região do Piemonte, norte da Itália), ninguém pensou em colocá-las em uma "classe diferencial" para que aprendessem italiano, costumes e tradições do Norte, nem fazer um teste de ingresso. Por que agora se pensa nessas medidas?", concluiu a publicação. (Com RV)

    Desemprego e falta de oportunidades: as queixas de imigrantes estrangeiros na Itália

    Quinta-Feira - 23/10/2008

    A Itália conheceu, em 2008, o maior índice de imigração estrangeira da história do país. Fotos: Mara Rocha

    Por Mara Rocha

    No início do século XX, muitos italianos deixaram a sua terra natal, fugindo de uma Itália castigada pelas guerras. Criaram raízes em países promissores como os Estados Unidos, Argentina e Brasil. Desembarcaram em terras estrangeiras com as malas de papelão repletas de histórias e sonhos. Acrescentaram aos seus locais de destino os seus costumes e tradições. Quase um século depois, o processo se inverte e a Itália conhece, em 2008, o maior índice de imigração estrangeira da história do país. Provenientes da Europa do Leste, África, América Latina, Ásia, os imigrantes estrangeiros chegam em solo italiano, muitos sem falar a língua local, e precisam enfrentar as adversidades culturais, a nostalgia de casa e os problemas sociais da Itália em tempos de crise.

    Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (ISTAT), são 3.432.651 cidadãos estrangeiros registrados nas “anagrafi” das 8.101 prefeituras – um aumento de 16,8% (493.729) com relação ao ano passado – e 570 mil clandestinos – quase 1% da população italiana – nas contas da Comissão da União Européia (Ue). No auge da crise financeira mundial, a economia italiana se encontra instável, e o “boom” nas imigrações agrava os problemas sociais do país despreparado para tal crescimento populacional. No primeiro semestre de 2008, o desemprego atingiu a marca de 6,7% (trezentas mil pessoas sem emprego), o maior índice dos últimos dois anos, divulgou o ISTAT.

    Como conseqüência, aumentaram também os casos de racismo. No último mês, o chinês Tong Hong-Shen (36) foi agredido, em Roma, por uma gang de adolescentes e o afrodescendente Abdoul Guiebre (19) foi assassinado a pauladas, em Milão, por Fausto Cristofoli e seu filho Daniele. No mesmo período, o ganese Emmanuel Bonsu (22) foi preso por engano em Parma e chamado de negro porco, enquanto apanhava dos policiais.

    Os crimes cometidos por estrangeiros é um outro agravante da intolerância racial. De acordo com o Ministero dell’Interno, cerca de 35% dos crimes na Itália (um a cada três) são cometidos por imigrantes, principalmente clandestinos.

    Como medida de controle da entrada de clandestinos e ação dos imigrantes estrangeiros na Itália, o governo lançou este ano o projeto de lei chamado “pacchetto sicurezza”. Dentre as medidas do “pacchetto”, estão as penas de seis meses a quatro anos de prisão para o imigrante clandestino (clandestinidade agora é crime) e a expulsão do estrangeiro condenado a dois ou mais anos de reclusão (antes, o mínimo era de dez anos). O cidadão que alugar um imóvel a um estrangeiro sem visto de permanência terá a propriedade confiscada pelo governo. Maior fiscalização para casamentos entre italianos e estrangeiros: antes da oficialização do matrimônio, o casal precisará de uma permissão que sairá após dois anos de convivência, evitando assim os casamentos de conveniência. Quanto às transferências internacionais de dinheiro, as agências deverão exigir a cópia do documento de identidade italiano do cliente para não serem fechadas.

    No livro "Viaggio in un’Italia diversa", de Bruno Vespa, o presidente da Câmara dos Deputados Gianfranco Fini (Alleanza Nazionale) defendeu uma maior facilitação nos processos de visto de permanência para os clandestinos com trabalho e sem problemas com a Justiça italiana. Segundo Fini, é o único modo para evitar peripécias inúteis dos clandestinos para conseguirem um visto de ingresso na Itália. O presidente da Câmera se refere aos estrangeiros como a brasileira R.S. (36), que entrou na Itália como turista (tempo de permanência máximo permitido é de três meses), onde mora clandestinamente já há um ano. R.S. trabalha sem carteira assinada como faxineira e babá para algumas famílias italianas e divide apartamento com outros dois estrangeiros na mesma condição dela. Com o dinheiro arrecadado pela brasileira (1.200 euros), ela sustenta os seus três filhos no Brasil.

    Provenientes do Leste Europeu, África, América Latina e Ásia, imigrantes estrangeiros chegam a Itália, muitos sem falar a língua local, e se inserem nos problemas sociais enfrentados pelo país em tempos de crise

    “Envio, todos os meses, oitocentos euros para casa”, conta. Um dos patrões de R.S. deu entrada no processo de visto de trabalho da funcionária sete meses atrás, mas a brasileira ainda não obteve uma resposta das autoridades italianas. Enquanto aguarda o visto, R.S. planeja o futuro: “uma vez com meus documentos italianos, vou fazer um curso de enfermagem. Quero buscar uma profissão que me dê uma vida digna” - preconiza.

    O equatoriano P.G. (30) chegou na Itália em 2005. Sem falar italiano nem conhecer ninguém, viu-se desempregado e passou a se prostituir em uma sauna gay. Em uma noite, já chegou a fazer quatorze programas. “Um recorde na sauna em que trabalho”, conta. Recebe, em média, quatro mil euros por mês e paga quinhentos euros ao dono da sauna para dormir em um quarto com outras cinco pessoas. No Equador, somente uma de suas irmãs conhece a sua atividade na Itália. P.G. reclama da solidão de sua vida clandestina. “Não possuo amigos e quando vou à rua, me sinto julgado pelos desconhecidos à minha volta”, desabafa. O equatoriano sonha com o retorno ao seu país de origem, mas tem medo de voltar e ficar sem emprego. “Pretendo juntar dinheiro para não voltar com uma mão na frente e outra atrás”.

    Margit Nagy deixou a Hungria há nove anos. Entrou como turista, quando a Hungria ainda não fazia parte da União Européia (ingressou em 2003). Por três anos, permaneceu na Itália como clandestina. Na ocasião, dirigiu um Centro de Estética sem possuir a documentação italiana. Teve a carteira assinada quando trabalhou como doméstica para uma empresa de limpeza e, mais tarde, em uma creche. Agora, casada e com a cidadania italiana, não consegue emprego. “Achei que com a minha cidadania, conseguiria um trabalho, mas não é tão fácil. Só consigo “bicos”, reclama.

    A nigeriana Thomas Esther (38) também entrou na Itália como turista, em 1990, e ficou clandestinamente. Sem os documentos italianos, fez “bicos” como faxineira e garçonete, ganhando o suficiente para sobreviver. No início, passou por dificuldades por não falar italiano e ser clandestina em uma Itália ainda desacostumada com a imigração africana. “A vida foi muito difícil para todos os negros dos anos 90. Fomos os primeiros a chegar aqui. No ônibus, as senhoras, antes de se sentarem, limpavam os bancos quando se levantava um negro”, conta. O visto de permanência da nigeriana chegou quatro anos depois quando ela se casou com um italiano, com quem teve três filhos. Hoje, possui uma loja de produtos alimentícios importados. “Estou bem agora. Trabalhei muito, fiz muitos cursos e depois preferi voltar às minhas origens. Trabalho em uma galeria cheia de estrangeiros e vendo produtos do mundo inteiro”.

    Esther não esqueceu dos momentos de dificuldade vividos na Itália e ajuda muitos estrangeiros que não tiveram a sua mesma sorte dando abrigo e bons conselhos. Aos estrangeiros que sonham em morar na Itália, ela adverte “É preciso se preparar para o futuro, porque depois se chegará aos 60 anos. Não dá para trabalhar como garçonete a vida inteira ou sonhar com o príncipe encantado italiano. Quem chega aqui sem instrução não consegue nada. Se não tiver uma profissão, venha com a idéia de estudar e seguir uma carreira”.

    maraorocha@yahoo.com.br

    Redação revista eletrônica Oriundi

    A relação entre as finanças e a economia da produção e do consumo

     

    Matéria da Editoria:
    Economia
    25/10/2008

    PAUL SINGER

     

    Para superar a crise financeira e impedir que ela lance a economia real em recessão, é essencial que o crédito seja restaurado, o que possivelmente exigirá uma intervenção efetiva do poder público nos bancos. Se os governos não fizerem isso, é provável que o dinheiro público injetado nos bancos seja entesourado, porque é o que todos os agentes privados fazem enquanto o pânico perdura.

    Paul Singer

    Data: 23/10/2008

    O mistério do interrelacionamento entre as finanças e a economia da produção e do consumo
    É nos momentos de crise financeira que a opinião pública se volta a este tema: como se interrelacionam o mundo financeiro com suas vicissitudes especulativas e o mundo da produção e consumo de valores de uso. São dois mundos distintos: no primeiro circulam valores monetários denominados genericamente de ativos porque são créditos, a cada um dos quais corresponde um débito (ou passivo); no segundo circulam bens e serviços que satisfazem necessidades de seres humanos, que por isso se dispõem a pagar para adquiri-los. Estes bens e serviços são mercadorias – produtos do trabalho humano destinados à venda, à troca por dinheiro - e neste sentido também são valores monetários. A diferença entre ativos e mercadorias é que os primeiros são valores virtuais, isto é, não satisfazem qualquer necessidade diretamente, ao passo que os últimos são valores reais, prontos para serem utilizados ou consumidos.
    As finanças prestam serviços à economia real: recebem em depósito a poupança de famílias e empresas (sem falar dos governos) e lhes oferecem empréstimos. Serviços financeiros são basicamente de intermediação entre famílias e empresas que têm poupanças e outras que necessitam de dinheiro. As finanças recolhem o dinheiro sobrante das primeiras e o emprestam às últimas. Mas, sua atividade principal é emprestar a governos e empresas para que possam fazer investimentos. Embora as compras a prazo dos consumidores sejam importantes – sobretudo o crédito hipotecário - a maior parte dos ativos se destina a financiar investimentos do poder público e das empresas capitalistas, sobretudo de grande porte.
    Além disso, boa parte da poupança captada pelas finanças são delas mesmas. A atividade financeira expandiu-se acentuadamente nos últimos decênios de globalização e neo-liberalismo, usufruindo de lucros extraordinários, parte dos quais alimentam as remunerações milionárias dos altos executivos financeiros. Uma parte crescente do capital total da economia capitalista globalizada gira no mundo financeiro e nas fases de alta dos ciclos de conjuntura usufrui de inegável hipertrofia.
    São muitas as modalidades de empréstimos praticados pelas finanças: depósitos bancários, títulos negociados em Bolsas de Valores, emissões de títulos por governos, grandes empresas, companhias de seguros (apólices), emissão de cartões de crédito e de débito e assim por diante. O que efetivamente importa é que os intermediários podem emprestar mais dinheiro do que captaram do público ou de outros intermediários. Eles podem fazer isso porque gozam de crédito por parte do público que aceita em pagamento os ativos avalizados por bancos. É assim que funcionam os cheques e os cartões eletrônicos: são ordens de pagamento que o cliente do banco emite para que determinadas dívidas, que ele faz junto a lojas, restaurantes etc., sejam pagas pelo seu banco. A grande maioria das transações dos agentes da economia real é liquidada por meio de instrumentos chamados meios de pagamento emitidos por bancos. Só transações de pouco valor são liquidadas por meio da moeda oficial emitida pela Autoridade Monetária, que pode ser o Banco Central ou o Tesouro do governo nacional.
    Os bancos ganham dinheiro fazendo empréstimos, pelos quais cobram juros. Os serviços que prestam aos depositantes só lhes dão despesas. Os bancos precisam dos depósitos porque eles constituem o lastro dos empréstimos que fazem. O Banco Central exige que os bancos comerciais mantenham um encaixe mínimo que serve para cobrir os saques dos depositantes. Os prestatários (que recebem os empréstimos) sacam rapidamente os valores acrescentados aos seus saldos para pagar os fornecedores de equipamentos, instalações, matérias primas etc. que são os elementos materiais de seus investimentos. Os fornecedores, por sua vez, depositam imediatamente o dinheiro recebido em seus bancos, quando o dinheiro não é transferido diretamente para suas contas. O que significa que o dinheiro utilizado pelos agentes da economia real para liquidar transações entre eles circula incessantemente entre os bancos, ou seja, no âmbito financeiro.
    Quando todos os bancos, no afã de ganhar mais, ampliam os empréstimos a agentes da economia real, os depósitos de todos eles aumentam. O efeito importante é sobre a economia real, que se expande na medida em que os investimentos crescem, o que ocasiona a ampliação do emprego, da produção e do consumo. A expansão da economia real se auto-alimenta na medida em que desempregados conseguem trabalho, os gastos do público aumentam, o que suscita mais investimentos, mais emprego e mais produção.
    O ciclo de conjuntura
    A fase de alta do ciclo se origina mais frequentemente na economia real do que no âmbito financeiro. Ela é desencadeada geralmente por inovações tecnológicas de grande impacto sobre a produção e/ou consumo ou por mudanças institucionais, como a instauração de sistemas de previdência social, de assistência à saúde ou de transferência de rendimentos à população mais pobre. A realização de inovações tecnológicas exige investimentos vultosos, o que eleva as demandas de financiamento por parte das empresas. O mesmo se dá quando iniciativas governamentais de redistribuição de renda elevam os gastos de consumo de amplos setores da sociedade, o que também requer investimentos para ampliação da capacidade de produção dos bens e serviços consumidos por aqueles setores.
    O crescimento da demanda por empréstimos normalmente evoca resposta favorável das finanças, que farejam oportunidades para bons negócios. É conhecida a tendência dos intermediários financeiros de agir como rebanhos: quando a alta cíclica da economia real acontece, todos os banqueiros se entusiasmam, convictos de que os riscos de que os empréstimos deixem de ser pagos tornaram-se insignificantes. Na medida em que as expectativas otimistas se revelam verdadeiras – os financiamentos são pagos pontualmente – o entusiasmo cresce até se tornar euforia. Microempresas, incapazes de oferecer garantias reais normalmente exigidas, acabam por receber empréstimos em função do seu potencial, representado algumas vezes por não muito mais do que uma boa idéia.
    A euforia é contagiante. Ela pode ter começado na economia real e contaminado as finanças ou vice-versa. Seja como for, enquanto o potencial das inovações tecnológicas ou das mudanças institucionais não estiver esgotado, a fase de alta do ciclo se eleva cada vez mais, graças à interação simbiótica das finanças com a economia real. Até que ela bate num teto. Este pode ter por causa o esgotamento da capacidade de expansão da oferta de mercadorias, por falta de mão-de-obra ou de oferta de energia ou de capacidade de transporte e armazenagem ou de tudo isso em conjunto.
    Outra origem do teto para a alta pode ser o esgotamento da necessidade das mercadorias cuja produção está em perene aceleração. Este foi o caso da bolha imobiliária, que está na origem da atual crise financeira. A demanda por habitação costuma ser grande, mas certamente não é infinita. A alta da atividade de construção tem elevado poder de irradiação por toda economia, na medida em que ela implica em procura crescente por material de construção, equipamentos e mão-de-obra, além de mobília, eletrodomésticos, objetos de decoração etc., etc.. Como a construção de casas e prédios é relativamente prolongada, quando o esgotamento da demanda se torna manifesto, a quantidade de construções em andamento está no auge. Interrompê-las pode ser extremamente custoso, mas levá-las a cabo implica em mais investimentos numa mercadoria que provavelmente se tornará invendável, a não ser por um preço muito abaixo do custo.
    O estouro duma bolha imobiliária atinge em cheio as finanças porque imóveis são objetos privilegiados para a especulação, particularmente porque os investimentos parecem protegidos por elevada garantia material, qual seja, os próprios imóveis. Uma parte da intermediação financeira se especializa no financiamento hipotecário e quando a bolha atinge seu apogeu este setor atrai enorme quantidade de dinheiro, parte do qual é investida na especulação fundiária. Quando finalmente a oferta de residências ultrapassa a demanda solvável, o preço tanto dos terrenos como das construções despenca, acarretando grandes prejuízos não só aos investidores, mas também às instituições que os financiam. No caso da atual crise financeira, a peculiaridade é que, durante a alta, instituições financeiras fizeram empréstimos à população de baixa renda, que implicam riscos maiores do que os normais. Por isso os títulos de crédito destas operações recebem a classificação de subprime, o que significa algo como “abaixo dos melhores”.
    Para poder vender estes títulos ao público sem deságio, as instituições os empacotaram com outros títulos de risco considerado menor, numa manobra conhecida como de diluição de riscos. A operação aparentemente foi um sucesso: títulos no valor de muitos bilhões de dólares foram incorporados às carteiras de ativos de numerosos bancos de investimento, não só dos Estados Unidos, mas também da Europa. Quando o ciclo imobiliário entrou em baixa, o preço das residências e o aluguel das mesmas sofreram forte queda, tornando desproporcionalmente onerosa a dívida assumida por milhões de famílias pobres. Em outras palavras, o prejuízo causado pelo estouro da bolha foi colocado sobre os ombros de quem menos podia suportá-lo. Os devedores deixaram de honrar suas dívidas, arriscando-se a perder suas casas e apartamentos, cada vez mais desvalorizados. Desta maneira o prejuízo bilionário da crise imobiliária voltou ao colo dos especuladores financeiros, que se mostraram igualmente incapazes de suportá-lo. Um grande banco estadunidense faliu e diversos outros foram provisoriamente estatizados, tanto na América do Norte como na Europa.
    Crises que se originam no âmbito financeiro
    Há crises que se originam no próprio setor financeiro, sem envolver inicialmente a economia real. Uma crise deste tipo ocorreu em 2000, nos Estados Unidos, por ocasião da grande euforia ocasionada pela criação da Internet e a conseqüente revelação de suas inegáveis potencialidades. A criação de empresas de informática muito lucrativas e capazes de expansão fulminante provocou uma corrida nas Bolsas de Valores por ações de firmas em setores de alta tecnologia. As ações passaram a se valorizar cada vez mais, proporcionando ganhos milionários aos especuladores institucionais – fundos de investimento, fundos de pensão, companhias de seguro etc. – e também a um crescente número de pessoas físicas, que passaram a arriscar suas economias neste jogo.
    O Federal Reserve – o banco central dos Estados Unidos – resolveu intervir para deter a bolha, certamente para limitar as perdas quando seu inevitável estouro tivesse lugar. Para tanto, o Federal Reserve começou a elevar paulatinamente a taxa oficial de juros, encarecendo deliberadamente o crédito em geral. Esta ação levou meses, até que a taxa de juros para investimento praticamente ‘sem risco’ chegasse a um patamar que levasse investidores a preferir aplicações a juros em lugar de comprar ações, cujo rendimento depende da lucratividade da firma que as emite. A partir deste momento o volume de recursos aplicados em ações começou a diminuir, o que fez com que os seus preços passassem a crescer cada vez menos. Subitamente, o humor dos especuladores mudou inteiramente e um número cada vez maior deles começou a vender suas ações, tendo em vista aplicar o dinheiro em outros ativos. O que causou uma débâcle nas Bolsas, não só dos EUA, mas também do resto do mundo, com queda vertical das cotações.
    Os prejuízos dos intermediários financeiros foram enormes, com a perda de trilhões de dólares no valor das empresas. Ficou evidente que as cotações haviam atingido níveis muito maiores do que a lucratividade destas empresas justificaria. O Federal Reserve imediatamente inverteu sua política, passando a reduzir também paulatinamente a taxa de juros, para tentar evitar que a crise das bolsas afetasse a economia real. Mas, apesar da notável agilidade do Federal Reserve, a economia real estadunidense entrou em recessão. O débâcle dos mercados de ações ocasionou fortes perdas aos fundos, cujos investidores passaram a conter seus gastos, o mesmo acontecendo com os milhões de particulares que arriscaram suas economias no jogo especulativo. E o crédito mais restrito e caro também impediu que muitos investimentos planejados fossem executados.
    A queda na demanda dos consumidores e na realização de investimentos causou uma queda na atividade econômica, que foi enfrentada pela Autoridade Monetária mediante injeções de dinheiro, que ajudaram a financiar o setor imobiliário. A recessão de 2000/2001, agravada pelo ataque às Torres Gêmeas de Nova Iorque, foi superada pela persistente alta dos preços dos imóveis e a expansão da atividade construtiva, que constitui o pano de fundo da crise financeira começada em 2007 e que atualmente (2008) começa a afetar a economia real estadunidense e européia.
    O inter-relacionamento entre as finanças e a economia real
    Historicamente, as finanças modernas surgiram desde o século XIV, na Europa Ocidental para financiar os governos monárquicos, principalmente suas guerras e suas alianças matrimoniais. Em muitos países, os primeiros bancos eram oficiais, possuídos por autoridades nacionais ou locais. No Brasil, nosso primeiro banco foi criado por D.João VI no início do século XIX e permaneceu sob controle do governo imperial até a Proclamação da República, sendo a criação de bancos privados mal tolerada pelo poder público.
    A conhecida propensão das finanças entrarem em crise, como vimos acima, provoca praticamente sempre uma forte intervenção estatal no setor, tendo em vista preservar a normalidade dos negócios financeiros e muitas vezes com o propósito explícito de proteger a economia real das emanações destrutivas da crise financeira. Em diversos países, todos os intermediários financeiros chegaram a ser estatizados e ficaram nesta condição por anos, até que algum governo resolveu reprivatizá-los..
    Sem considerar o papel do Estado é impossível compreender o inter-relacionamento entre as finanças e a economia real. Atualmente, as finanças de cada país são constituídas majoritariamente por entidades privadas, mas sob controle e fiscalização do Banco Central. As finanças são quase sempre dominadas por um número reduzido de grandes entidades, que constituem complexos financeiros com atuação em quase todas modalidades financeiras, desde os bancos de varejo e os bancos de investimento atacadistas (que lidam apenas com grandes inversores) até as companhias de seguro, os fundos de investimentos, as companhias de cartões eletrônicos etc..
    Com o advento da globalização financeira, produto da abertura total da circulação dos capitais sobre as fronteiras nacionais de numerosos países, o poder do Estado nacional sobre as finanças foi consideravelmente erodido, porque se algum governo nacional vier a tomar medidas que contrariem os interesses das firmas financeiras privadas, ele se defrontaria imediatamente com forte fuga de capitais para paraísos fiscais, que lhes garantem liberdade total de ação a custo muito baixo. Para que os governos nacionais possam recuperar o controle sobre o capital financeiro, a primeira medida teria que ser o restabelecimento do controle sobre a movimentação internacional dos capitais privados.
    A economia real também é dominada por um punhado de transnacionais de grande porte. Para não ter de se submeter aos complexos financeiros, estas firmas criaram seus próprios braços financeiros, semelhantes aos complexos financeiros independentes. As estruturas das finanças e da economia real se assemelham, sobretudo em seus aspectos oligopólicos e transnacionais. Mas, a economia real é muito mais diversificada e é composta por um número muito maior de empreendimentos de pequeno porte do que o setor financeiro. Por isso, na maior parte dos países, a intervenção do Estado na economia real é mais dispersa e muito mais diversificada, consistindo em geral na concessão de incentivos e imposição de proibições de atividades que violam a concorrência, os direitos dos trabalhadores ou a preservação de recursos naturais não renováveis.
    A economia real é instável e imprevisível por causa da ausência de qualquer tentativa de coordenação da produção e do consumo, distribuídos hoje em dia por milhares de mercados distintos. Tentativas de coordenar as ações de todas as empresas de determinado setor são consideradas formação de cartel e portanto ameaças à competição, o que é punível por lei. Decisões devem ser tomadas isoladamente por cada empresa, para que a competição nos diversos mercados seja livre.
    Para tornar a economia real mais estável e previsível a cartelização de determinados ramos deveria ser não só permitida, mas fomentada e controlada pelo poder público, para tornar as decisões estratégicas das empresas mutuamente congruentes e portanto mais eficazes. O controle público teria por objetivo impedir que o ganho de eficiência seja apoderado apenas pelo segmento mais forte, mas compartilhado com todas as empresas da cadeia produtiva e com os consumidores dos produtos.
    A instabilidade e imprevisibilidade do mundo financeiro são, em certa medida, reflexos destas características da economia real. Mas, no mundo financeiro a imprevisibilidade é condição indispensável para que possa haver especulação, que constitui a razão de ser de parte considerável (Bolsas de Valores e de Mercadorias) deste mundo. Isso faz com que a instabilidade e a incerteza quanto ao futuro, nas finanças, sejam muito maiores do que na economia real. Os ativos com que lidam as finanças, são contratos a serem executados num futuro, que no capitalismo é inevitavelmente incerto.
    Além disso, há outra diferença entre as finanças e a economia real que torna a instabilidade e imprevisibilidade muito maior no âmbito financeiro: é que este está sujeito a ondas de otimismo ou pessimismo que arrastam o conjunto de operadores numa ou noutra direção, maximizando ganhos e perdas sempre que o rebanho muda bruscamente de direção. A especulação na economia real se funda mais em informações específicas sobre determinados setores de produção e consumo. Por isso, a economia real é menos propensa a se lançar inteira em ondas de otimismo ou pessimismo, provocadas por apreciações apenas subjetivas.
    A crise financeira, por tudo isso, pode ser considerada inevitável, pelo menos enquanto a desregulação das finanças permanecer em vigor. A crise faz com que a prestação de serviços financeiros à economia real se contraia cada vez mais até cessar ao todo, a partir do momento em que a crise alcança a maior parte dos bancos e demais intermediários. O trancamento das fontes de crédito obriga as empresas que não dispõem de reservas líquidas abundantes a suspender o pagamento de suas dívidas e se a crise se prolongar elas acabam por falir. Os rombos deixados pelas falidas arrastam suas credoras à inadimplência por sua vez. Desta maneira, a crise financeira contamina a economia real, podendo lançá-la em recessão em pouco tempo.
    Então, o que fazer?
    Trata-se de circunscrever a crise financeira, num primeiro momento, para evitar que ela venha a paralisar a economia real. Uma eventual crise da economia real tem conseqüências sociais e políticas muito mais amplas porque ela começa por lançar no desemprego e logo mais na miséria uma parcela substancial da sociedade. Uma crise da economia real é muito mais difícil de reverter por medidas de Estado, porque não basta recuperar a confiança da população em determinadas instituições. Seria necessário criar novas atividades capazes de reinserir milhões de pessoas na economia mediante políticas de fomento e incentivo que somente poderão ser definidas por um processo prolongado de tentativa e erro. A grande crise de 1929 levou uma década para ser superada e mesmo assim graças ao “auxílio” de uma guerra mundial.
    Como a crise da economia real não aconteceu ainda e tão pouco é fatal, partiremos do pressuposto de que é possível preveni-la desde que sejam adotadas políticas capazes de resolver em curto prazo a atual crise financeira e ao mesmo tempo lancem fundamentos de uma nova estrutura institucional capaz de evitar novas crises financeiras no futuro. Convém lembrar que o sistema monetário internacional implantado nos anos 1930, e consolidado e sistematizado na Conferência de Bretton Woods em 1944, livrou o mundo de crises financeiras internacionais por mais de 40 anos.
    Ao contrário da política do governo de Bush, que se dispõe a resgatar os bancos falidos comprando seus créditos podres, e por isso sem valor, por preços que evitem a bancarrota gastando algo como 700 bilhões de dólares do erário público, o Estado deveria se apossar dos bancos falidos e só então reabilitá-los com recursos do tesouro. Se os governos não fizerem isso, é provável que o dinheiro público injetado nos bancos seja entesourado, porque é o que todos os agentes privados fazem enquanto o pânico perdura. Mas, para superar a crise financeira e impedir que ela lance a economia real em recessão, é essencial que o crédito seja restaurado, o que possivelmente exigirá uma intervenção efetiva do poder público nos bancos.
    Uma vez superada a crise, uma reformulação em profundidade das finanças deveria ser pautada. Há bons argumentos a favor da estatização perene de todos os bancos que emitem os meios de pagamento do país, não só para preservar o meio circulante da especulação mas, sobretudo, para garantir os valores dos depositantes e fazer com que sejam aplicados onde são mais necessários do ponto de vista do interesse geral da sociedade. O que pode implicar numa governança participativa do novo sistema financeiro, com forte presença dos assalariados, trabalhadores da economia solidária, além dos setores empresariais de praxe.
    Se as finanças fossem todas colocadas sob um comando unificado, elas poderiam controlar a economia real inteira, impondo-lhe diretrizes sobre o que e quanto produzir e consumir, de forma semelhante ao que foi feito nos países do ‘socialismo real’ no afã de planejar centralmente todas as atividades econômicas. Este não é um modelo que permitiria a paulatina construção duma economia socialista autogestionária. Em lugar dele algo como um parlamento econômico, composto por representantes eleitos dos diferentes modos de produção – capitalismo, pequena produção de mercadorias, economia solidária, economia pública local, regional e nacional etc.. – certamente seria mais adequado.
    Finalmente, o mercado de capitais teria de ser reformulado, tendo em vista não só coibir a especulação, mas também reconstruir os laços entre o investidor privado e o empreendimento em que ele é sócio. Neste sentido, seria necessário retirar a presente “liquidez” dos investimentos, que hoje podem ser colocados numa firma e retirados depois num piscar de olhos e quase sem custos. Entre as idéias que me ocorrem uma seria limitar o número de sócios de cada firma, de modo que seja possível a cada um participar efetivamente da administração da mesma, pelo menos na condição de membro duma assembléia de acionistas com influência real sobre a empresa. Só assim, propostas de cogestão de empresas por proprietários, empregados e representantes dos clientes p.ex. poderiam ser viáveis.
    (*) Paul Singer é economista, Secretário Nacional de Economia Solidária

    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15322&boletim_id=479&componente_id=8426

    sexta-feira, setembro 26, 2008

    Síntese de países

    O Mundo em síntese num ótimo esquema informações variadas de todos os países do Mundo você em com neste sítio

    IBGE - Países@

    Vale a pena conferir e consultar quando necessário.

    quarta-feira, setembro 17, 2008

    O BRASIL TREME

     

    O País sofre com terremotos em diversas regiões - e já investe em uma moderna rede de sismógrafos
    Cai por terra a velha teoria de que no Brasil, ainda que as coisas nem sempre andem bem, “pelo menos não tem terremoto”. Nos últimos dias, a natureza falou por si. E os cientistas apenas confirmaram: o solo brasileiro treme constantemente. No interior do planeta, na fronteira entre a crosta terrestre e os mantos de magma, há placas tectônicas que se encaixam como peças de um quebra-cabeça. Em algumas áreas do globo, como é o caso do continente sul-americano, essas placas deslizam umas sobre as outras e essa dança gera um atrito tão forte que empurra a crosta terrestre para cima, gerando terremotos. O resultado dessa “dança” espalhou pânico entre moradores de cidades como Sobral, no Ceará, onde em apenas três dias foram registrados 507 tremores de terra. “A intensidade não foi alta (3,9 graus na escala americana Richter, que vai até 9 graus), mas foi o suficiente para destelhar casas e fazer a população ir dormir nas ruas, em barracas e redes improvisadas”, disse à ISTOÉ Lucas Vieira Barros, chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), que controla 300 estações sismológicas do País. Apesar de centenas dessas estações monitorarem o solo brasileiro, a verdade é que os atuais equipamentos precisam ser modernizados para que possam alertar em tempo real a população sobre os possíveis danos que os tremores possam causar – é isso que fez a Petrobras investir R$ 20 milhões no Observatório Nacional para a implantação dos mais modernos equipamentos feitos na Suíça e nos EUA. Serão ao todo 50 estações do Sul ao Nordeste do Brasil. “Entraremos no rol das nações desenvolvidas do ponto de vista de estudos geofísicos”, diz Sérgio Luiz Fontes, diretor do Observatório Nacional.
    Nos últimos meses, o Brasil nunca tremeu tanto. O geólogo Barros explica que as falhas geológicas que cruzam o solo do País geraram 30 sismos com magnitude acima de 5 graus. Os primeiros abalos registrados foram no ano de 1955, em Mato Grosso e no Espírito Santo. Depois disso, as maiores incidências estão no Ceará e no Rio Grande do Norte. Para evitar que um terremoto aconteça sem que a população esteja preparada, como ocorreu em dezembro de 2007 na comunidade rural mineira de Caraíbas, onde uma criança morreu e dezenas de casas foram completamente destruídas, o Observatório Nacional irá utilizar um moderno sismógrafo. Trata-se de um aparelho que usa sensores para registrar ondas sísmicas geradas no interior do Planeta, antes mesmo de chegar à superfície. Outra novidade serão os sistemas de posicionamento de satélites que conseguem mapear quaisquer movimentos horizontais da Terra. Por fim, as estações serão equipadas com gravímetros, para medir a aceleração da gravidade do globo terrestre.
    A idéia do projeto é que os dados sejam recebidos via satélite, de forma a ter “quase em tempo real” uma medida da atividade sísmica. “Produziremos relatórios quando houver tremores de maior magnitude, acima de 4 pontos na escala Richter”, afirma Fontes. Há, no entanto, uma pedra no meio do caminho. Possivelmente o registro de sismos deverá ser ajustado para detectar abalos de menos de 4 graus de intensidade. “Em locais onde as construções são precárias, 3 graus já serão suficientes para causar rachaduras e queda de telhas”, diz Barros. Esse será um dos detalhes que o Observatório Nacional terá de revisar antes de colocar os equipamentos em operação. Em 2009, as primeiras 11 estações serão instaladas em Linhares (ES), Cananéia (SP), Tubarão (SC), Vassouras e Angra dos Reis (RJ).


    Revista Istoé


    Edição 2001 - 12 DE MARÇO/2008

    OS BIOCOMBUSTÍVEIS, O ETANOL E A FOME NO MUNDO

     

    No primeiro caso, estão as preocupações de caráter ambiental que derivam da crescente busca para a redução de emissões de gases que aceleram o efeito estufa. Quanto aos governos, a segurança energética relaciona-se com a redução da dependência da importação de petróleo, bem cada vez mais escasso e cujos principais países exportadores encontram-se em regiões com freqüentes instabilidades políticas. É nesse contexto que a experiência brasileira no uso do álcool derivado da cana-de-açúcar desperta a atenção mundial.
    O Brasil está, há pelo menos três décadas, na vanguarda da corrida dos biocombustíveis, em decorrência não só da enorme quantidade de terras e recursos hídricos disponíveis, como também por seu domínio tecnológico na produção de cana, a mais importante das matérias-primas utilizadas para produzir açúcar, etanol e eletricidade de forma competitiva.
    A decisão dos governos dos Estados Unidos (EUA) e dos países da União Européia (UE) em pelo menos duplicar o seu consumo de biocombustíveis nos próximos anos não só acirrou inúmeros interesses, como também ensejou grandes polêmicas.
    Uma das principais polêmicas é aquela que discute o impacto que o crescimento das culturas agrícolas ligadas à produção de biocombustíveis causariam à produção de alimentos. De início deve-se ressaltar que a importância dos combustíveis de origem agrícola no mercado global de energia é pequena, visto não representarem mais do que 1% da produção de combustíveis fósseis.
    Mas, o crescente impacto do boom agroenergético tem afetado, de forma mais ou menos significativa, certos mercados agrícolas, especialmente o do milho, a principal matéria prima usada para produção de etanol nos EUA. A produção norte-americana do etanol já consome cerca de 20% do milho produzido no país e esta cultura vem avançando gradativamente sobre áreas de outros plantios, especialmente os dedicados à soja. Isso tem ocasionado aumento dos preços de certos produtos agrícolas e causado desequilíbrios na estrutura dos mercados agropecuários (especialmente os de rações), além de afetar as exportações (os EUA são os maiores exportadores mundiais).
    Já o impacto da expansão da agroenergia nos mercados agrícolas é muito menor em países como o Brasil, que produzem álcool a partir da cana. Mais eficiente que o milho ou qualquer outra cultura agrícola, a produtividade da cana é duas vezes maior que a do milho e seu custo de produção é 30% menor.
    Do total de terras aráveis do Brasil (aproximadamente 340 milhões de hectares), cerca de 2,0% são usadas para o cultivo de cana, metade delas dedicadas à produção de etanol. A cultura da cana deverá se ampliar nos próximos anos às custas das terras dedicadas ao plantio de soja (cerca de 6,0% das terras aráveis) e milho (3,2%) e também sobre as áreas de pastos que correspondem a quase 60% das terras aráveis. Mas, não há certeza que, em algumas áreas, a cana não possa se expandir em detrimento a algumas culturas alimentares. Daí, a ferrenha oposição setores da sociedade em relação a essa expansão.
    Estimativas para a safra de cana de 2007/2008 indicam que ela crescerá 15% em relação a de 2006/2007 e o aumento se verificará em quase todas as unidades federativas. Os estados que apresentarão o maior crescimento porcentual serão a Bahia (75,9%) e Tocantins (73,5%). Todavia, em volume, a produção de cana é bem concentrada. Cerca de 85% dela verifica-se no Centro-Sul, com destaque para São Paulo com aproximadamente 70% do total regional. O Paraná (porção norte), Minas Gerais (região do Triângulo Mineiro), Mato Grosso Sul (leste) e centro-sul de Goiás completam o quadro.
    Há estudos em andamento no Ministério da Agricultura no sentido de se estabelecer um zoneamento agroecológico do setor sucroalcooleiro cujo objetivo seria o de definir as áreas disponíveis para a ampliação da produção levando em conta não só os índices de produtividade, mas também os impactos ambientais e socioeconômicos dessa expansão.
    Os EUA e o Brasil são, nessa ordem, os maiores produtores mundiais de etanol, sendo os norte-americanos os maiores importadores do produto e nosso país o maior exportador. Todavia, o Brasil não possui as limitações de expansão de área cultivada como os EUA, já que a cana pode, a princípio, se expandir especialmente em áreas de cerrado, que tradicionalmente têm sido utilizadas para pastagens ou produção de soja. O Brasil, por exemplo, poderia produzir 132 milhões de litros de etanol, volume necessário para substituir 15% da gasolina nos EUA, com cerca de 30 milhões de hectares de cana-de-açúcar, o triplo da área atual de cana, porém apenas 10% da nossa reserva de pastagens.
    Se produzida com alta tecnologia, a agroenergia representa uma extraordinária oportunidade para os países subdesenvolvidos da América Latina, África e parte da Ásia. O Brasil, em particular, tem uma chance de ouro para estar à frente dos demais países no contexto global da bioenergia, buscando consolidar o álcool (e também o biodiesel) como commodities globais, produzidas de forma ambiental e socialmente correta.
    A expressiva alta dos alimentos nos últimos dois anos e a crise alimentar que vem afetando muitos países pobres como o Haiti, Burkina Fasso, Níger, entre outros levou vários especialistas ligados a organismos multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), a afirmar que esses problemas, que poderiam se alastrar por outros países eram causados pela expansão dos cultivos dedicados a produção de biocombustíveis (o etanol em particular) em detrimento daqueles dedicados a alimentação humana. Na verdade, o problema tem como causas uma combinação de fatores que atuam de forma diferenciada em vários países.
    Genericamente seriam cinco os principais fatores que explicam, em termos mundiais, a situação atual. O aumento da produção de biocombustíveis e a manutenção dos subsídios agrícolas em países ricos, como os EUA e países da UE. O aumento dos custos da produção agrícola como decorrência do aumento do petróleo e dos fertilizantes. O forte incremento do consumo de alimentos por parte de países emergentes de grande população como são os casos da China, Índia, Brasil e México. A quebra de safras em vários países produtores de grãos cujo exemplo mais evidente é o da Austrália, atingida por secas prolongadas nos últimos anos. A crise financeira dos EUA que levou investidores a apostar em contratos de mercadorias, contribuindo também para o aumento de preços dos alimentos.

    Nelson Bacic Olic
    Revista Pangea, 29/4/2008