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quarta-feira, setembro 02, 2009

O tigre acuado pela crise

 

Um dos chamados Tigres Asiáticos sofrem com o colapso econômico global, que se reflete no aumento das taxas de desemprego

Um dos chamados Tigres Asiáticos sofrem com o colapso econômico global, que se reflete no aumento das taxas de desemprego

02/09/2009

Patrícia Benvenuti

da Redação

O rápido crescimento da Coreia do Sul, especialmente na década de 1990, em princípio parece um bom exemplo a ser seguido por países pobres que pretendem um fortalecimento de suas economias.

A atração de capital externo por meio de "benefícios" como mão-de-obra barata, isenção de impostos e baixos custos para instalação de empresas foi uma marca do crescimento sul-coreano, patrocinado, por mais de três décadas, pelos diferentes governos militares que se sucederam no país.

O mesmo modelo foi adotado por Taiwan, Hong Kong e Cingapura que, junto com a Coreia do Sul, ficaram conhecidos como Tigres Asiáticos, pela agressividade de suas manobras para alavancar a economia.

Os riscos da dependência em relação ao capital estrangeiro e ao neoliberalismo, porém, aparecem em momentos de instabilidade, como a atual crise econômica mundial. Segundo a ativista sul-coreana Aehwa Kim, integrante da Aliança Coreana de Movimentos Progressistas, o país está perto de alcançar a marca de um milhão de desempregados, e a expectativa é de que o número de demissões no país possa aumentar.

Ao lado de Seung-Hun Lee, integrante do Partido Democrático Trabalhista da Coreia do Sul, Aehwa veio ao Brasil para conhecer organizações de camponeses. Em entrevista ao Brasil de Fato, a ativista fala sobre as consequências do colapso econômico sobre os trabalhadores sul-coreanos, agravadas pelo conservadorismo do atual governo, e revela, ainda, alguns dos interesses que impedem a reunificação das duas Coreias.

Brasil de Fato – A senhora poderia comentar um pouco sobre a atual conjuntura político-econômica da Coreia do Sul?

Aehwa Kim – Acho que a Coreia não é um caso atípico em termos dessas questões. Nós tivemos os mesmos problemas que outros países. O governo sul-coreano, tanto o anterior como o atual, tem promovido tratados de livre comércio e políticas neoliberais. As questões políticas estão se tornando cada vez mais não democráticas e, no momento, temos uma situação econômica muito difícil como, por exemplo, o índice de desemprego no país. Estamos esperando que a população de desempregados na Coreia, como um todo, chegue a um milhão de pessoas, e nossa população total está por volta de 48 milhões de pessoas. Mas esses são os números que o governo está lançando. Dois anos atrás, o governo coreano aprovou uma lei sobre trabalhadores irregulares [temporários, que têm um contrato curto de trabalho]. Como nós temos muitos trabalhadores irregulares, o governo decidiu protegê-los. Então, fez uma nova lei limitando o período pelo qual estes seriam contratados. Como consequência, uma empresa só pode contratar um trabalhador por dois anos. Se você contratar um trabalhador irregular por mais de dois anos, a empresa tem que mudar sua condição, para regular. O governo acredita que essa é uma ideia excelente porque os trabalhadores irregulares continuariam trabalhando depois de dois anos, e com isso, reduziria seu número. Mas a realidade é muito diferente. Existe um vazio na lei, que os empregadores usam. Antes de dois anos, despedem os trabalhadores. Hoje, eles só estabelecem contratos irregulares com os trabalhadores por um ano ou, no máximo, menos de dois anos. Ou seja, ele nunca vai trabalhar esses dois anos para se tornar regular. Se a empresa não fizesse isso e não procedesse irregularmente, essa lei seria boa.

Julho deste ano seria o limite para que os trabalhadores irregulares se tornassem efetivos, mas o atual governo reinterpretou essa lei e disse: como a economia da Coreia não está boa, para ativá-la e para facilitar os negócios para as empresas, expandiu esse período que a lei prevê. Com isso, esse processo foi empurrado para frente, sem definir a próxima data [para entrar em vigor]. Há dois anos estávamos lutando contra essa lei porque sabíamos que as empresas usariam essa brecha. Em vez de melhorar essa lei, que já não era boa, o governo a piorou.

Outra questão é a lei de mídia. Nós temos televisão pública, temos jornais e uma lei que diz que empresas de jornal não podem ser donas de televisão. O atual governo quer mudar isso, sob a alegação de competitividade. Os movimentos sociais e o Partido Liberal criaram uma coalizão juntamente com o Partido dos Trabalhadores e os partidos menores mas, mesmo assim, não temos o número suficiente [no Parlamento] para deter essa lei através do processo regular. Como consequência, ocupamos a Assembleia Nacional porque não tínhamos outra opção. O governo está, então, usando a situação econômica para mudar as leis trabalhistas e as leis de mídia.

Como a crise tem atingido o país?

Temos o índice do desemprego, que é muito sério. Além disso, a maior parte dos trabalhadores hoje é irregular, e nem trabalho temporário está fácil de conseguir. A indústria de automóveis, principalmente, têm reduzido o número de trabalhadores, como a Hyundai e a Kia. Uma empresa de carros chamada Ssangyong reduziu o número de trabalhadores e, agora, por dois meses, estes entraram em greve, ocuparam a fábrica. Eles não causaram nenhum problema na produção, ninguém tinha causado qualquer problema para a empresa e, de repente, perderam o emprego, foram demitidos. Por que nós vamos ter que perder nosso trabalho e eles não vão perder nada? Eles despediram mais de mil trabalhadores, metade do total. Esse é um exemplo da crise e das consequências e ações dos trabalhadores.

Em termos de propostas, o que surge por parte da classe trabalhadora?

Os sindicatos querem que o governo disponibilize recursos públicos para que as empresas garantam os empregos dos trabalhadores. Essa é a proposta dos sindicatos. O governo também queria mudar a lei do salário mínimo. Nela, existe um item específico que fala que todos têm que receber o salário mínimo, com exceção das pessoas com deficiência física e as pessoas acima de 60 anos. Então, para estas pessoas, a empresa pode pagar menos do que o salário mínimo. O que quer o governo coreano é expandir essa cláusula, mas o que nós queremos é aumentar o salário mínimo e criar restrições para qualquer tipo de exceção. É um governo extremamente desumano, o salário mínimo já é para os mais pobres e eles ainda querem diminuir a renda daqueles que já são muito pobres. Esse é um exemplo em que a desculpa é sempre a situação econômica.

Como tem sido então a relação das organizações progressistas com o novo governo?

Até dezembro de 2007, quando o novo presidente [Lee Myung-bak] entrou no poder, a gente teve um período relativamente bom. O governo anterior considerava todas as pessoas como povo e tentava mostrar que tinha a intenção de trabalhar para as pessoas comuns. Mas, agora, o atual governo praticamente retrocedeu, em mais de dez anos, para o período militar da Coreia. É uma situação semelhante à situação que nós tínhamos então, e nós temos que lutar contra o atual governo para voltar a esses dez anos democráticos em questões trabalhistas, de direitos humanos, da mídia, em todas as áreas da sociedade. Se fazemos hoje um pequeno protesto, a reação do governo é nos prender, colocar na cadeia, o que não acontecia no período democrático. A repressão aumentou muito.

Como está a relação entre as duas Coreias?

É muito importante enfatizar a relação da Coreia do Norte com a Coreia do Sul. Nos últimos dez anos, estava progredindo. Tivemos duas cúpulas entre as duas Coreias e também desenvolvemos uma relação de cooperação econômica, criando uma zona econômica especial perto da fronteira, um complexo industrial em Kaesong, localizado na Coreia do Norte. As empresas da Coreia do Sul estão investindo e iniciando operações lá. Nos últimos dez anos, nós podíamos ir para Kaesong, podíamos ir também para a capital da Coreia do Norte, que é Pyongyang, mas a população da Coreia do Norte não podia descer [para a Coreia do Sul]. Mas, desde que o novo governo entrou no poder, está se tornando cada vez mais difícil ir para a Coreia do Norte. O atual governo está se tornando uma obstrução para a construção de relações entre os dois países. Há também a questão nuclear. A Coreia do Norte lançou alguns satélites e fizeram testes nucleares. Como consequência, algumas leis agora estão apertando o cerco contra a Coreia do Norte. Os Estados Unidos fortaleceram as sanções econômicas ao país, que está se tornando mais isolado na comunidade internacional também em consequência das ações do nosso atual governo. A fronteira da Coreia do Sul com a Coreia do Norte, na realidade, é um resíduo da Guerra Fria. É o único lugar no mundo onde ainda existe esse resíduo que, no resto do mundo, não tem mais.

Como as organizações progressistas agem em relação à Coreia do Norte? Que ações estão sendo feitas?

Sob nossa rede de organizações, a Aliança Coreana de Movimentos Progressistas, temos muitas organizações trabalhando nos movimentos de paz e nas questões de reunificação. Por exemplo, temos uma organização chamada Coalizão Pan-coreana, que promoveu a declaração de 15 de junho [em 2000], quando os líderes da Coreia do Norte e da Coreia do Sul se encontraram em uma cúpula. Nessa declaração, eles determinavam uma reunificação pacífica, com respeito mútuo, e também para o desenvolvimento cooperativo de relações econômicas. Isso foi um momento muito importante para dissolver um período de tensão e conflito passar para uma relação de amizade e cooperação. Depois dessa declaração, nós pudemos desenvolver o complexo industrial de Kaesong. Os sul-coreanos costumavam pensar na Coreia do Norte como um país extremamente hostil antes dessa cúpula, mas depois disso, passaram a adotar uma posição diferente. Agora, estamos entrando em uma nova fase porque, com o novo governo, isso está sendo revertido, e a população da Coreia do Sul começa a ver novamente a Coreia do Norte como um país hostil, com quem eles não podem ter nenhuma relação de amizade. Isso é construído pelo governo dos Estados Unidos e também pela mídia local. A declaração de 15 de junho foi assinada pelos dois líderes das duas Coreias e, por isso, nós temos que lutar para manter e respeitar essa declaração. Mas o que o atual governo está fazendo é ignorá-la. E a Coreia do Norte pensa: “se você ignora a declaração assinada pelo antigo governo, então também não vamos poder respeitar a sua posição”. Isso significa que a Coreia do Norte começa a ver a Coreia do Sul como uma ameaça. O objetivo principal das pessoas agora é o movimento de reunificação, mas os Estados Unidos e o governo sul-coreano ignoram esse desejo. Por isso, temos que lutar contra os governos estadunidense e sul-coreano, porque eles são o principal obstáculo para a reunificação.

quinta-feira, junho 25, 2009

Imagens únicas da Coreia do Norte

Data de publicação : 24 Junho 2009 - 12:32pm | Por RNW RNW

Assuntos relacionados:

Turistas podem visitar a Coreia do Norte, apesar dos lançamentos de mísseis, dos testes nucleares subterrâneos e dos discursos com ameaças de guerra do regime de Pyongyang. A correspondente da Rádio Nederland acompanhou uma destas visitas, como turista, já que jornalistas não são bem-vindos.

por Jin Lin

Mesmo para os turistas a liberdade de ir e vir no ‘paraíso dos trabalhadores’ é muito pequena. As viagens pelo país são feitas de ônibus e os pernoites são em bons hotéis, bem longe das pessoas comuns. Quase não há contato com cidadãos coreanos, embora dois guias fiquem à disposição dos turistas. Eles falam de seus ideais e da luta contra o imperialismo norte-americano.

Durante a visita à Coreia do Norte os turistas podem ver o melhor do melhor do ‘paraíso dos trabalhadores’. Tudo o que não se encaixa nesta imagem é creditado aos ‘belicosos’ norte-americanos, que tentam destruir a Coreia do Norte com suas sanções. Por causa do ‘inimigo’ norte-americano, a nação sofre com a falta de energia elétrica, pobreza e escassez de alimentos. É a grande desculpa para o empobrecimento do país.

Após a Guerra da Coreia, em 1953, nunca foi assinado um acordo de paz com a Coreia do Sul e os Estados Unidos. Apenas um cessar-fogo foi assinado e vigora até hoje. Mais de sessenta anos depois, o país continua em guerra. Mas desde então, amigos e inimigos continuaram a se desenvolver. Já a Coreia do Norte, sem conexão de internet ou telefones celulares, ficou para trás em uma luta solitária.


http://www.rnw.nl/pt-pt/português/article/imagens-únicas-da-coreia-do-norte


segunda-feira, junho 22, 2009

CONTINENTE ASIÁTICO

GEOGRAFIA

 

Resumo: o continente asiático tem sido amplamente divulgado na mídia, principalmente à parte do oriente, é fundamental conhecermos um pouco sobre esses países; esse tutorial falará um pouco sobre esse assunto.

A superfície total da terra possui 510.000.000 km. Deste total, 360.000.000 km são de terras imersas e 150.000.000 km são de terras emersas.

O hemisfério Sul é chamado hemisfério das águas porque possui apenas 1/3 das terras emersas. É no hemisfério Norte que se concentram 2/3 dessas terras.Devido a isto, é chamado hemisfério das terras ou continental.

De todos os continentes o maior e mais populoso é a Ásia. Ela apresenta espaços geográficos diferenciados.

Foi no continente asiático que teve início o processo de civilização do homem. Na Ásia originaram-se as primeiras cidades:

» Aproximadamente 3.500 anos, as margens dos rios Tigre e Eufrates (Mesopotâmia).

» 2.500 a C, no vale do rio Indo.

» 1.550 a C, no vale do rio Amarelo.

A superfície da Ásia é de 44.329.852 km, o que corresponde a quase 30% das terras emersas, situadas totalmente no hemisfério Oriental e em maior parte ao norte do Equador.

A Ásia limita-se:

» Ao norte, com o oceano Glacial Ártico;

» Ao sul, com o oceano Índico;

» A leste, com o oceano Pacifico;

» A oeste, com a Europa e o mar Mediterrâneo;

» A sudoeste, com a África e o mar Vermelho.

A Ásia e a África eram antes unidas pelo istmo de Suez, aberto em 1869, agora Canal de Suez.

No litoral sul do continente Asiático, encontramos outras áreas importantes para a navegação comercial, como o golfo Pérsico ou Arábico e o golfo de Omã.

O golfo Arábico ou o golfo Pérsico demonstra, através da própria duplicidade de sua denominação, a disputa, entre árabes e persas, pelo seu domínio.

Através do Canal de Suez e destes golfos, os países produtores de petróleo escoam sua produção para o resto do mundo.

O litoral do continente asiático é bastante recortado, com uma grande quantidade e penínsulas:

» Península da Anatólia, na Turquia;

» Península Arábica, onde se situam a Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar, Berlim, Omã e Lêmen;

» Península do Decã, na índia;

» Península da Malaia, onde se situam a Malásia e Cingapura;

» Península da Indochina, onde se localizam Vietnã, Laos, Tailândia e Camboja;

» Península da Coréia, com Coréia do Norte e Coréia do Sul;

» Península de Kamtchatka, na Rússia.

Os principais planaltos do continente são:

» Planalto de Anatólia, na Turquia;

» Planalto da Arábia, situado na porção oeste da península Arábica;

» Planalto do Irã, localizado em território iraniano;

» Planalto do Decã, na Índia, corresponde a porção central da península do Decã;

» Planalto do Tibet, ao norte da Cordilheira do Himalaia;

» Planalto da Mongólia, na Mongólia;

» Planalto de Pamir, denominado “telhado do mundo” com altitudes superiores a 4.000 m.

» Planalto Central Siberiano, na Rússia.

Encontramos externas planícies irrigadas por rios, que são utilizados como via de transportes e produzem energia elétrica.

São cinco as grandes Planícies asiáticas:

» Planície Siberiana: situada na Rússia, entre os montes Urais e o planalto Central Siberiano; é a mais extensa do continente, com 7 milhões de km.

» Planície da Mesopotâmia: situada entre os rios Tigres e Eufrates.

» Planície Indo-gangética: atravessada pelos rios indo e Ganges, é formada por sedimentos provenientes da erosão das montanhas, trazidos por estes rios.

» Planície da china: localizada no leste da Ásia, é atravessada por dois importantes rios: Rio Azul e Rio Amarelo.

Nas planícies da Mesopotâmia, Indo-gangética, da China e do Mekong desenvolve-se a cultura do arroz, base alimentar dessas populações, o que ocasiona grandes concentrações populacionais nestas áreas.

O continente asiático ainda conta com outra forma de relevo: é a depressão. A maior depressão absoluta da Ásia é o mar Morto, que se encontra a 392 m abaixo do nível do mar.

O mar Cáspio também é considerado uma depressão absoluta, com 28 metros abaixo do nível do mar.

O Clima Asiático

O clima de um local qualquer da terra recebe a influência de fatores como: latitude ou posição geográfica, altitude, relevo, massas de ar e maritimidade. O continente asiático possui uma grande variedade climática como conseqüência da atuação desses fatores.

O clima do continente asiático é tão diversificado quanto o seu relevo. O relevo da Ásia apresenta altitudes bastante elevadas, como a da cordilheira do Himalaia, onde existe a ocorrência de clima frio de alta montanha, porque, aproximadamente, para cada, 200 m que subimos, a temperatura diminui 1°C.

A península Arábica e o Irã, no sudoeste da Ásia, recebem a atuação das massas de ar quentes e secas da África; conseqüentemente, a península Arábica e o Irã apresentam, clima desértico e semi-árido, com elevadas temperaturas e escassa umidade.

O clima das monções é resultante da atuação das massas de ar que se deslocam do continente para o oceano, e do oceano para o continente, em deferentes épocas do ano. Isso acontece como conseqüência das diferenças de temperatura e de pressão atmosférica entre continente e oceano.

As terras da Ásia situadas ao norte que possuem relevo aberto a penetração das massas polares apresentam inverno bastante rigorosos.

Existem ainda, na Ásia, regiões onde as chuvas são escassas, porque as massas oceânicas carregadas de umidade são barradas pelas altas montanhas, provocando a ocorrência de climas desérticos, como acontece na parte central do continente, nos desertos de Gobi e do Tibet, na China.

O continente asiático apresenta um relevo no sentido leste-oeste, que impede a movimentação das massas de ar frio do norte para o sul, e quente do sul para o norte.

A Hidrografia do continente Asiático

Os rios asiáticos desempenharam importante papel na fixação do homem. Estes rios correm das altas montanhas da região central em direção aos oceanos Pacífico, índico e Ártico.

Os rios asiáticos em sua maior parte possuem regime pluvial e nival, isto é, são alimentados pelas águas provenientes das chuvas e do derretimento das neves.

Uma característica da hidrografia asiática é a existência de grandes bacias internas que recolhem, em suas depressões, água que não correm para os oceanos.

Estas bacias estão situadas em áreas de clima seco, desempenhando um importante papel, como é o caso do rio Jordão, que possibilita o desenvolvimento de culturas irrigadas nas áreas secas que atravessa.

O rio Indo e o rio Ganges nasce nas cordilheiras do Himalaia. São de grande importância econômica, pois, durante as suas cheias, fertilizam as terras por onde passam.

Na planície Siberiana encontram-se rios que tem suas águas congeladas no inverno e no verão provocam enchentes. O rio Mekong também é de importância econômica para os países que atravessa. Em suas margens, é cultivado o arroz, alimento básico dos orientais.

A vegetação do continente Asiático

O relevo e a diversidade do clima são fatores que determinam a sua cobertura vegetal. No norte da Ásia onde o clima é frio, co temperaturas que tem em determinado locais chegam a 70°C. Encontramos dois tipos de vegetação: a tundra, nas regiões onde predomina o frio polar, e a floresta de taiga, onde existe a ocorrência do frio continental.

A Tundra é formada por liquens e musgos; é bastante pobre e passa a maior parte do tempo congelada. No alto verão, quando ocorre o degelo, a Tundra ressurge com flores.

A Taiga tem, como espécies predominantes, formações florestais que possuem folhas pontiagudas, em forma de agulha para diminuir a perda da água, como o pinheiro.

A Taiga siberiana é bastante explorada e dela se retira principalmente a madeira para a fabricação de papel.

As estepes e pradarias aparecem nas áreas próximas aos desertos. São espécies rasteiras de gramíneas, com poucos arbustos.

As gramíneas servem de alimento para os rebanhos de ovinos e caprinos. A vegetação de deserto aparece onde as condições de aridez são muito acentuadas; constitui-se de plantas rasteiras e arbustos isolados. Esta vegetação é chamada de xerófila. Nas ilhas de maior umidade, aparece os oásis, com tamareiras e outras espécies típicas.

As florestas tropicais e equatoriais aparecem nas regiões próximas ao Equador que apresentam elevadas temperaturas e altos índices pluviométricos, como: Península Malaia, Península da Indochina, uma parte da índia e nas ilhas Sumatra, Bornéo, Nova Guiné e Filipinas.

Devido às altas temperaturas e a umidade, a Ásia Equatorial e Ásia das Monções apresentavam uma vegetação original densa e com árvores de grande altura. Estas florestas foram tão exploradas pelo homem que modificaram o ecossistema. A Savana aparece nas áreas vizinhas as florestas tropicais e equatoriais.

A Floresta subtropical e temperada ocorre em áreas do território chinês, Coréia do Norte e Coréia do Sul e no Japão. Estas florestas também sofreram intensa exploração e ocupação humana.

http://www.juliobattisti.com.br/tutoriais/arlindojunior/geografia040.asp

O CONTINENTE ASIÁTICO

 

O mapa do maior continente do mundo, a Ásia

A Ásia é o maior continente do mundo, corresponde a um terço das emersas, é banhado por três oceanos, Índico (ao sul), Pacífico (a leste) e o Antártico (ao norte). Ao norte a cadeia de montanha separa o continente da Europa (fronteira natural).
As características naturais e climáticas são abrangentes, uma vez, que se trata de uma imensa extensão territorial. O clima pode variar de equatorial e tropical até polar, e as vegetações presentes no continente, são dentre elas, florestas equatoriais, tropicais, temperadas, estepes, savanas e pradarias, vegetação desértica, taiga e a tundra, o relevo é composto por grandes altitudes.
Devido à extensão territorial do continente asiático, foi realizada uma regionalização do continente, dessa forma a Ásia ficou classificada como Oriente Médio, Sul da Ásia, Sudeste da Ásia, Extremo Oriente e países da ex-União Soviética.

O continente Asiático é o mais populoso do mundo, com uma população de aproximadamente 3,8 bilhões de pessoas, que corresponde a 60% do total da população mundial. De cada dez países mais populosos do mundo, sete encontra-se no continente Asiático (China, Índia, Indonésia, Paquistão, Rússia e Japão).
O processo de colonização e descolonização da Ásia é bastante semelhante com o ocorrido na América Latina e na África, que ficou caracterizado pela intensa exploração. No século XV com as grandes navegações as potências Européias começaram a manter relação com a Ásia, até o século XIX as relações eram estritamente comerciais por meio das feitorias.

A exploração se tornou intensa somente nos séculos XIX e XX, quando as potências Européias passaram a conquistar territórios no continente, as conquistas tinham como razão principal a exploração de recursos naturais e matérias-primas para atender as necessidades industriais. No século XX outras potências queriam explorar o continente como os Estados Unidos, Japão e Rússia.
Antes de ocorrer à expansão colonialista era raro o contato entre asiático e europeu. No sudeste asiático a colonização causou modificações na cultura local, o cultivo de arroz despertou cobiça e disputas territoriais, pois o clima era favorável ao desenvolvimento das monocultoras, geralmente culturas apreciadas na Europa.
O Oriente Médio, do século XIII até XX, se encontrava sob domínio do Império Turco-Otomano (Árabes), (Curdos) e (Persas). Ao apoiar a Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) o Império foi derrotado perdendo áreas de domínio para Ingleses e Franceses. Após a independência dos países do Oriente Médio, os limites territoriais estabelecidos pelos Europeus promoveram uma instabilidade política na região que são apresentadas até os dias de hoje.
O processo de colonização esbarrou na força de grandes civilizações (hindu e chinesa), essas são civilizações com poder de dinastia, com uma estrutura social, possuía exército, duas sociedades com rigoroso código de conduta moral, firmados na religião e que não iria admitir a imposição cultural européia.

No entanto, mesmo com a resistência, os países Europeus com sua superioridade militar e estratégias, conseguiram derrotar as grandes nações asiáticas e explorá-las. Atualmente a China e Índia são importantes potências regionais, e em ascensão no cenário mundial.

O processo de descolonização do continente asiático teve início através de iniciativas anti-colonização e no enfraquecimento das nações Européias após a Segunda Guerra Mundial, a maioria dos países herdaram problemas econômicos e sociais.

quarta-feira, março 18, 2009

China preocupa-se com segurança dos empréstimos que fez aos EUA

 

A Casa Branca asseverou oficialmente à China que “não existe aplicação mais segura no mundo” para as reservas de divisas do país asiático e pediu encarecidamente a Pequim que continue emprestando, em reação às preocupações manifestadas pelo primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, na semana passada, sobre a sorte de centenas de bilhões trocados por títulos do Tesouro dos EUA e papéis norte-americanos. “Para ser sincero, estou um pouco preocupado”, afirmou Jiabao, no último dia da sessão anual do pleno do parlamento chinês, na sexta-feira 13. “Já emprestamos muito dinheiro aos Estados Unidos”, acrescentou.

Sem esse dinheiro, os EUA não teriam como financiar seu déficit, que este ano, em decorrência da crise e da falta de poupança interna, chegará a 12% do PIB. A otimista declaração de que “não existe aplicação mais segura no mundo” foi feita pelo porta-voz Robert Gibbs. Desde setembro, a China ultrapassou o Japão como o maior credor dos EUA.

Nessa mesma entrevista, Jiabao havia reiterado que “é claro que estamos preocupados com a segurança de nossos ativos”. Afinal, somente em títulos do Tesouro e outros papéis o montante de dinheiro chinês emprestado aos EUA ultrapassa os US$ 727 bilhões. Diz-se até que o banco de hipotecas Freddie Mac só não faliu porque era “too chinese to fail” – “demasiado chinês para quebrar”. Também querendo tranqüilizar Pequim, o diretor do Conselho de economistas da Casa Branca, Lawrence Summers, garantiu que Washington “é um zeloso guardião” das reservas da China.

Prevendo um déficit de 1,752 trilhão de dólares para o exercício fiscal 2008-2009 que finaliza em setembro, agravado por medidas excepcionais tomadas para sustentar a economia americana, o governo dos EUA dificilmente pode dispensar os empréstimos apor-tados pela China.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Indianos querem reclassificar casta

 

Piya Kochkar*

17-06-2008

No complexo sistema de castas da Índia, pessoas são tratadas e divididas em classes sociais de acordo com a hierarquia. A casta denominada Gujjar ocupava uma posição inferior na escala social, apesar de não estar em último lugar. No entanto, eles agora lutam pelo direito de reclassificação como cidadãos inferiores, num conflito que já deixou dezenas de mortos.

Esse sistema de castas foi oficialmente abolido e tiveram início ações e programas afirmativos, para favorecer os grupos menos favorecidos. A idéia é de que o tratamento preferencial irá ajudá-los a melhorar economicamente.

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Os Gujjars também querem os benefícios
concedidos às castas menos favorecidas
Foto: Lakshman Anand

Pobreza

O governo indiano afirma que os Gujjars estão numa escala social alta demais para receber esses benefícios. No entanto, os Gujjars dizem que estão na pobreza. No último mês, eles tomaram as ruas das comunidades na província de Rajasthan para exigir o status inferior.
Na semana passada, houve revoltas nas ruas de Nova Délhi e em outras regiões da Índia. Pessoas morreram nas lutas, mas para alguns, foi só mais um inconveniente, atrasando o horário do trabalho. A revolta era de membros da comunidade Gujjar, que tinham tomado as ruas exigindo benefícios do sistema de cotas do governo, uma política afirmativa para castas e etnias esmagadas ou atrasadas.
A revolta não é nova. Trata-se de um grupo de pessoas exigindo direitos fundamentais, como à educação, por empregos e por vida digna. Alguns indianos lamentam pela frustração e desespero da população, que resultaram nessa violência. Outros acham que a violência não é o caminho.
Contribuinte
Avinash Kalla trabalha em Nova Délhi, mas é de Rajasthan. Seu estado-natal abriga a maior população Gujjar da Índia, e a mais pobre também. São os Gujjars em Rajasthan que estão liderando as lutas por mais cotas. E pedem reservas especiais em empregos públicos e universidades estatais.

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A sociedade indiana é
dividida por castas

No entanto, para Avinash Kalla, "eles não trabalham, não vão à escola. Eles só querem acesso fácil a tudo. Então você está degradando o sistema, abaixando a qualidade. Se você tem que protestar, então faça isso direito. Não tem graça fazer agitação e tomar as ruas", queixa-se.
Desespero
A.K. Varma é membro da comunidade Gujjar e é professor aposentado de Ciências Políticas. O professor acha que os membros dessa casta só se tornaram violentos em resposta à violência policial. Ele concorda com seus colegas Gujjars em Rajasthan, a quem foi prometido, nas eleições de 2003, uma grande quantidade de empregos públicos. Mas a promessa nunca foi cumprida. Segundo Varma, a luta é um último recurso, uma luta de desespero.
"Em uma democracia, é nosso direito fundamental lutar por nossas conquistas por meios pacíficos. E é isso que temos feito. Em 1942, Ghandi disse: 'Ingleses, saiam da Índia ou então nós, indianos, faremos algo, faremos ou morreremos'. A mesma idéia é adotada pelos Gujjars. Nós sacrificaremos nossas vidas. Para quê viver se não temos comida? É melhor morrer. Deus ajuda aqueles que se ajudam. Se não lutarmos, quem irá ajudar-nos?"
Eleições
Bina Singh faz trabalho social em favelas de Nova Délhi. Antes, ela trabalhava para o governo na defesa do bem-estar juvenil e social.
"Se os protestos podem fazer a diferença para uma família, uma pessoa, eu acho que vale a pena. Uma família que tem quatro ou cinco crianças, se elas podem ser educadas e a vida delas melhora, vão dar um exemplo para outras pessoas da comunidade. Então, realmente surte efeito. As pessoas pensam: o quê esses poucos Gujjars podem fazer, eles são só cinco por cento da comunidade? Mas eles são cidadãos deste país, e cinco por cento é muita gente".
Cinqüenta pessoas já morreram nas agitações dos Gujjars. Em meados de junho, o governo finalmente resolveu ouvir representantes da casta. Coincidentemente, as eleições estão chegando, fazendo parecer que esse encontro possa ser mais uma tentativa de angariar votos.
*Adaptação: Railda Herrero

Líder maoísta substitui rei no Nepal

 

Lucia de Vries*

30-05-2008

Milhares de pessoas se reuniram em Katmandu, capital do Nepal, para festejar a partida do rei Gyanendra de seu palácio e o fim de uma monarquia de mais de 240 anos, após a proclamação da república no país asiático. O novo governante nepalês é o líder maoísta Prachanda, que assume o cargo de primeiro-ministro.

O rei nepalês, uma figura até pouco tempo intocável, teve que deixar o palácio e renunciar. Em 2001, durante a coroação de Gyanendra, grupos na multidão que assistia à cerimônia gritaram "assassino". Mas sua impopularidade ganhou força em 2004, quando conseguiu mais poder como rei. Em 2006, após inúmeros protestos da população, ele teve que ceder e voltar atrás, o que significou o início de seu fim como monarca.

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O rei Gyanendra agora faz parte
do passado político do Nepal

Há meses que os rumores de sua saída correm pelas ruas estreitas de Katmandu. Também foram feitas brincadeiras, tais como a sugestão do jornal Nepali Times: "Porque não transformamos o palácio em museu, com a figura de Gyanendra, atrás de sua mesa, feita de cera?". No entanto, as provocações não alteraram a tranqüilidade do rei. Na semana passada, ele ainda visitou um templo e assistiu ao sacrifício de cinco animais, o que provocou protestos de organização nepalesa de proteção aos animais. A monarquia nepalesa é conhecida por este costume antigo de oferendas de animais sacrificados, realizadas, na maioria das vezes, em público.
Alívio e festa
A maioria dos nepaleses está aliviada. Embora recentes pesquisas apontassem que quase 50% dos habitantes queriam manter a monarquia, Gyanendra não era amado pelos seus súditos, e o seu filho, Paras, um tipo "playboy", era odiado pela população. E no dia 28 de maio, milhares de nepaleses maoístas se dirigiram à Katmandu para festejar a proclamação da república.
A dinastia Shah, em seus 240 anos de existência, não foi um exemplo de monarquia que evitava atos de violência. Em 2001, aconteceu uma tragédia entre os muros do palácio. O adorado rei Birendra e vários membros de sua família foram assassinados. Segundo a versão oficial, eles teriam sido mortos, com uma metralhadora, pelo príncipe herdeiro, Dipendra, que logo depois também se matou. O irmão do rei, Gyanendra, e sua família, foram os únicos sobreviventes deste banho de sangue. Logo depois, o povo tirou sua própria conclusão: a matança teria sido organizada por Gyanendra, já que, na mesma semana, tornou-se rei do Nepal.
Em 2004, a Federação Mundial Hindu corou o rei Gyanendra como o "o único rei hindu do mundo". Durante a cerimônia, o presidente Ashok Singhal disse que "o papel dos 900 milhões de hindus em todo o mundo é oferecer a proteção ao rei hindu. Deus o criou para proteger a nossa religião". No mesmo ano, Gyanendra pegou todo o poder para si, destituindo o parlamento e outros membros do governo. Em princípio, o ato foi bem recebido pelo povo, que pensava que, desta maneira, se colocaria um fim ao longo conflito entre o governo e os rebeldes maoistas. Mas logo o rei nepalês perdeu por completo sua credibilidade junto à população.
Meio século de luta
Durante a assembléia de 601 membros nepaleses, a república foi declarada. "Este é um dia histórico para a nação. Os nepaleses lutaram 50 anos para o fim da monarquia", disse Prachanda, recém-eleito para conduzir a política do país. A partir de agora, comenta o líder maoísta, Gyanendra será um cidadão comum e pagará todos os impostos, além de perder parte de sua fortuna com o pagamento de vários impostos sonegados.
Em diversos sites pela internet, iniciou-se uma discussão sobre a mudança política no Nepal, com opiniões diversas, entre críticas e defesas ao rei. Trata-se de um debate que mostra o contraste entre o velho e o novo Nepal - tema dos maoístas numa das eleições passadas. Apesar de a monarquia ainda ser respeitada pelos hindus tradicionalistas, o líder maoísta Prachanda também é muito querido pelo povo nepalês, que o apoiou em massa nas eleições de abril passado.
E sua gestão dará espaço para as mulheres, que participarão com 33% dos membros do governo "Novo Nepal". Além disso, especialistas garantem que todas as religiões, castas e etnias estarão representadas nesta primeira administração histórica da República Nepalesa.
*Tradução: Luís Henrique de Freitas Pádua

Ucrânia: tropas da Otan são recebidas a pedradas

 

Centenas de manifestantes ucranianos tentaram impedir, com paus e pedras, um exercício militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Criméia, sul do país, no dia 24 do mês passado.

Os cidadãos conseguiram bloquear brevemente três blindados, subindo em cima deles, segundo imagens transmitidas pela rede de TV Canal 5.
Os militares dispararam granadas sôni-cas contra os manifestantes. Duas pessoas ficaram feridas, entre eles um deputado comunista, segundo Canal 5. A Ucrânia não faz parte da Otan, que organizou o exercício apelidado de “Brisa do Mar”.
Os manifestantes estiveram acampados na região das manobras desde antes do início dos exercícios, no dia 14 de julho.
Em um dos dias de protesto, os manifestantes realizaram uma “marcha naval” com uma dezena de barcos e lanchas ao longo da costa exibindo bandeiras e faixas contra a Otan.

O exercício “Brisa do Mar” terminou no dia 26 de julho e foi necessário a aprovação de uma lei especial do Parlamento para autorizar a permanência, durante 25 dias, em território ucraniano de mil militares norte-americanos e de outros países. A Otan vai decidir em dezembro se inclui a Ucrânia.

Fim da era Olmert

 

Joop Meijers*

04-08-2008

Não totalmente inesperado, o primeiro-ministro israelense Ehuld Olmert, acusado de corrupção, anunciou a sua renúncia. Num curto pronunciamento pela televisão, Olmert informou que no próximo 17 de setembro estará deixando o seu cargo e a presidência do partido dele, o Kadima. Nesta data será escolhido um novo presidente do partido e, possivelmente, o novo primeiro-ministro de Israel.
olmertEm seu discurso, denominado pela mídia israelense de dramático, Olmert alegou estar convencido de sua inocência. "Devido as acusações e todo o processo, inclusive de funcionários do governo que querem a minha saída, decidi deixar o cargo e me concentrar na defesa de minha inocência", disse.
Olmert está sendo acusado de ter recebido dinheiro ilegal de um filantropo norte-americano. Além disso, o premier teria se deixado comprar por transações imobiliárias e viagens de férias para si e sua família, pagas pelo Estado. Ele é ainda acusado de ter apresentado notas falsas de despesas.
Caos
O anúncio da saída de Olmert veio no final de um dia em que o seu partido, Kadima, sofreu várias derrotas no parlamento. A unidade e a disciplina da fraca coalizão governamental caiu como um castelo de cartas. O ministro da Defesa descreveu a atmosfera no parlamento israelense como caótica.
Segundo as pesquisas de opinião, feitas pela televisão israelense, a popularidade de Olmert, que se tornou premier em abril de 2006, atingiu o mais baixo nível - 77% dos entrevistados se manifestaram descontentes com o seu trabalho.
Se as eleições fossem realizadas agora, o líder da oposição e antigo premier, Benjamin Netanyahu, do partido de direita Likud, receberia 36% dos votos; a vice-premier e atual ministra do exterior, do Kadima, Tzipi Livni, receberia 25%; e o líder do Partido Trabalhista e ministro da Defesa, Ehud Barak, apenas 12%.
Nova luta
A luta pela liderança dentro do partido Kadima ocorre entre a vice-premiere Shaul Mofaz, que em 2006 deixou o partido Likud. Tzipi Livni, que lidera o grupo que negocia a paz com os palestinos, é vista com uma política da nova safra. Já o antigo ministro da Defesa, Shaul Mofaz, tem a reputação de ser um duro da velha guarda. Em princípio, o novo líder do partido Kadima deve formar um novo governo de coalizão após a saída de Olmert. Caso não seja possível, novas eleições serão convocadas em Israel dentro de um prazo de três meses.
O primeiro-ministro Olmert disse que até a sua saída, ele continuará as negociações com os palestinos e a Síria. Devido ao pouco apoio político dentro de Israel, é improvável que essas negociações cheguem a algum ponto de entendimento.
De acordo com muitos políticos, existem grandes chances de que o Kadima, depois de escolher um novo líder, forme uma coalizão com o Partido Trabalhista israelense, para evitar que Netanyahu, do partido Likud, se torne novamente premier do país.
*Tradução: Luís Henrique de Freitas Pádua

quarta-feira, abril 16, 2008

Cenários geopolíticos no Oriente Médio

Nelson Bacic Olic


Apesar da dinâmica e do entrelaçamento dessas questões, que têm ainda como pano de fundo o interesse internacional nas enormes reservas petrolíferas dos países do Golfo Pérsico e o avanço do extremismo islâmico, pode-se tentar levantar alguns pontos que, ao que tudo indica, deverão ter continuidade nos próximos anos.

O primeiro deles é que os Estados Unidos continuarão a ser a potência com mais influência na região. Todavia, ela será menor do que já foi no passado, pois as políticas e estratégias norte-americanas para a região serão cada vez mais contestadas por outros atores da cena internacional, como a União Européia, a Rússia e a China.

O segundo é que o Irã parece cada vez mais se firmar como um dos Estados mais poderosos da região em virtude não só da riqueza fornecida pelo petróleo, mas também porque sua influência tem se fortalecido no Iraque e junto a grupos como o Hezbollah libanês e o Hamas palestino.

Já Israel, uma outra potência regional, tem dois grandes trunfos: o incondicional apoio dos sucessivos governos dos Estados Unidos e a posse de um arsenal nuclear. No entanto, continua sendo um “corpo estranho” numa região dominantemente árabe-muçulmana e não tem conseguido equacionar as relações com seus vizinhos árabes e muito menos buscar soluções satisfatórias com a população palestina. Esta situação representa um grande obstáculo para que se estabeleça um processo duradouro de paz na região.

Por outro lado, a situação do Iraque deverá permanecer caótica pelo menos nos próximos anos, o terrorismo continuará atuante na região e o Islã persistirá preenchendo o vazio político deixado pelo fracasso de modelos sócios econômicos ocidentais implementados sem sucesso por alguns dos governos de países da região. De maneira geral, os regimes dos países árabes continuaram mantendo-se com grande grau de autoritarismo.

Sob o ângulo econômico o petróleo, principal matéria-prima energética extraída na região, continuará apresentando preços cada vez mais elevados e, paradoxalmente, o comércio intra-regional permanecerá praticamente com pouca expressão.