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segunda-feira, setembro 21, 2009

“EUA tem o maior orçamento militar do mundo e usa para tomar riquezas dos demais”

Pesquisadora Eva Golinger denuncia:

Os presidentes dos países que integram a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), reunidos em Kinshasa no dia 11, reivindicaram o imediato fim das sanções contra o Zimbábue.

O anfitrião do encontro, presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, denunciou que as sanções sabotam o desenvolvimento e o bem-estar do povo do Zimbábue.

O comunicado final do encontro afirma que “considerando os progressos gerados pela aplicação de um acordo político global, chamamos a comunidade internacional a levantar toda forma de sanção contra o Zimbábue”.

REFORMA AGRÁRIA

Para manter as sanções econômicas, que incluem a negação de fundos por instituições financeiras, os EUA seguem denunciando ataques à democracia.

O boicote contra a ex-colônia britânica, de 11 milhões de habitantes e com 73% de sua população em zonas rurais, fez-se mais forte desde o ano 2000, quando o presidente Robert Mugabe acelerou a reforma agrária.

Na reunião participaram os chefes de Estado Jacob Zuma, da África do Sul; Armando Guebuza, de Moçambique; Robert Mugabe, do Zimbábue, e Lucas Pohamba, da Namíbia, além de delegações dos demais integrantes da Comunidade, que são Angola, Botsuana, Lesoto, Mada-gascar, Malawi, Suazilândia, Tanzânia e Zâmbia.

Uma delegação da União Européia visitou o Zimbábue durante esta semana e foi recebida por Robert Mugabe, integrantes de seu partido Zanu-PF; pelo primeiro-ministro Morgan Tsvangirai e seu partido MDC-T.

O jornal do Zimbá-bue, The Herald, denunciou que Tsvangirai “pretende que a União Européia mantenha as sanções contra o Zimbábue” apesar do acordo firmado pelos dois partidos e apoiado pela União Africana e pela SADC denominado Global Political Agreement (GPA - Acordo Político Global), pelo qual Tsvangirai assumiu o posto de primeiro-ministro. Ele participou de um comício em Bulawyo, mesma cidade e no mesmo dia em que membros da delegação se encontraram com ele para dizer que No comício ele declarou que “o partido Zanu-PF continua a violar a lei, perseguir parlamentares nossos e a ignorar tratados internacionais”.

Integrantes do partido Zanu-PF também denunciaram que nos encontros com os europeus somente eles argumentavam contra as sanções enquanto que os do MDC-T “ficavam estra-nhamente em silêncio”.

O The Herald denuncia que Tsvangirai quer forçar o governo a lhe ceder mais postos do que o acordado. O ministro do Desenvolvimento da Suécia, Gumilla Carlson, defendeu Tsvan-girai dizendo que “as medidas restritivas são decididas pela União Européia” e que “não cabe ao primeiro-ministro [Tsvangirai] retirá-las”.

MUGABE

O presidente Mugabe esclareceu aos europeus que o Zanu-PF fez a sua parte e o governo procedeu à posse de Tsvangirai e demais ministros por ele indicados. Mugabe declarou que deputados do MDC-T foram presos sob acusação de sequestro e estupro “ofensas muito graves em qualquer país do mundo”.

“Ou os senhores pretendem que os deputados no Zimbábue estejam acima da lei?”, questionou o presidente. Mugabe esclareceu que o ministro do Interior, encarregado da polícia, foi indicação acordada pelo Zanu-PF e MDC-T. “Eu duvido que ele mandaria prender de forma arbitrária membros de seu próprio partido”, disse Mugabe.

O presidente Mu-gabe pediu aos europeus que prestassem atenção aos pontos de vista africanos sobre a questão do Zimbábue como referentes a um país soberano e independente. “A Europa deve se reportar a nós como um país africano e não como se fôssemos membros de sua comunidade. Nós não somos parte da Europa”.

sexta-feira, setembro 04, 2009

A Nigéria e o perigo holandês

 

No oeste da África, no golfo da Guiné, entre o Benin e Camarões, o Níger e o Chade situa-se a Nigéria, um dos maiores países africanos – 923.768 Km2 de extensão territorial – com quase 150 milhões de habitantes. O mais populoso país do continente africano tem a maioria de sua população vivendo na miséria absoluta e só 25% dela está nas cidades.

Vários idiomas são falados no país, os das principais etinias que compõem 65% da população, os hussás, iorubas, ibos e fulanis. Os 35% restantes dividem-se em 245 pequenos grupos étnicos.

O idioma oficial é o inglês, herança da submissão à Inglaterra que colonizou o país até 1960 quando se tornou independente com o nome de República Federal da Nigéria e a capital em Lagos. Em 1991 a capital passou a ser a cidade de Abuja no centro geográfico do país.

A maioria da poluação, 50%, professa o islamismo, os outros 50% são cristãos católicos e protestantes ou professam os cultos tradicionais africanos.

71% dos nigerianos vivem com menos de 70 centavos de euros diários, a expectativa de vida é de 47 anos, 50% da população não tem acesso à água potável e o rio Níger é um dos mais poluídos do mundo pela ação predatória da industria química e petrolífera e pela mineração de urânio. 5,4% da população é vítima da epidemia de Aids.

Ao contrário do que demonstra a vida da maioria do povo nigeriano, a Nigéria não é um país pobre. Rica em petróleo é o oitavo produtor mundial – 2 milhões e 300 mil barris diários explorados e exportados por multinacionais.

A Nigéria não tem o controle sobre a produção da riqueza que responde por 95% das exportações e constitui-se em 80% de suas receitas. É membro da OPEP e possui imensas reservas de gás natural, as maiores da África, e que chegam a 190 trilhões de metros cúbicos embora estimativas apontem que elas podem ser ainda maiores. Há um projeto de construção de um gasoduto de 4.200km. passando pelo Níger e pela Argélia para levar gás à Europa para que ela seja menos dependente do gás vindo da Rússia.

O país sofre a escassez de gasolina, pois não sobra petróleo para ser refinado e abastecer o mercado interno, quase tudo o que é extraído é exportado. 40% da população não tem também acesso à eletricidade.

Seu solo é rico em ferro, estanho, carvão e urânio que também são explorados por empresas estrangeiras.

Sua agricultura produz apenas 20% das necessidades de consumo, tudo é importado e pago com a renda do petróleo.

Mas o petróleo é um recurso finito. Calcula-se que o petróleo nigeriano chegará ao máximo de produção em 2012 e a partir daí começará a declinar.

Em que situação ficará o país sem o mesmo nível de recursos gerados pelo petróleo se nada dessa riqueza imensa fica nas mãos dos nigerianos? Se ela não é investida no desenvolvimento industrial interno capaz de gerar empregos que permitam o fortalecimento do mercado interno e o desenvolvimento em outras esferas da atividade econômica que estimulem o país a crescer?

Estão na Nigéria todas as principais multinacionais petrolíferas do mundo e são elas que ditam as cartas do jogo no país. Como o petróleo não vai durar para sempre elas já buscam alternativas a ele na produção de agro-combustíveis e transgênicos. Para isso têm feito grandes investimentos na compra de terras para a produção de etanol.
A alemã Hoyer Co. Engenneering Gbr adquiriu 50 mil hectares de terras no fértil delta do Níger para produzir bio-combustível. A norte-americana Food For All International com apoio (e provavelmente com muito dinheiro) do governo nigeriano comprou milhares de hectares de terras também no delta do Níger para produzir combustível. Muitas empresas inglesas e algumas chinesas também já entraram nesse negócio.

ACORDOS LESIVOS

Toda a política do governo nigeriano é executada para cumprir acordos com os monopólios petrolíferos, que são isentos de todo tipo de taxas e impostos de importação sobre todo e qualquer produto relativo à produção do petróleo ou bio-combustível.

O governo não usa a riqueza do país, gerada pelo petróleo, para produzir outras riquezas e dotar o país de uma infra-estrutura capaz de promover o desenvolvimento e bem estar da população.

Tais acordos lesivos ao país e que permitem aos monopólios petrolíferos darem asas a sua ganância e auferirem superlucros, deixam um rastro de miséria, devastação, fome e desamparo de milhares de nigerianos, cuja diversidade étnica, cultural e religiosa é manipulada pelos prepostos e testas-de-ferro das multis para estimular conflitos de toda ordem em benefício de seus interesses econômicos no país.

A Nigéria está perdendo a chance de desenvolver-se enquanto ainda tem um pouco da riqueza proveniente do petróleo.

O governo não tem dinheiro para investir na industrialização, em educação, saúde, saneamento básico ou habitação e a injustiça generalizada na distribuição da riqueza do petróleo provoca uma grande tensão social.

Surgem guerrilhas que atacam as plataformas e oleodutos das multinacionais em vários pontos do país, mas em particular no delta do Níger.

SHELL

Movimentos sociais acusam a multinacional Shell de degradar o meio ambiente com a queima do gás a céu aberto nos poços de extração, o que vem causando graves prejuízos para saúde de milhares de nigerianos que sofrem de problemas respiratórios e câncer.

A Shell é acusada também de ser responsável pela poluição e degradação do rio Níger onde despeja detritos sem tratamento indiscriminadamente.

O “perigo holandês” no caso da Nigéria é proporcional ao seu tamanho e à sua população.

ROSANITA CAMPOS

quarta-feira, agosto 06, 2008

Campos de gás do Zimbábue são os maiores do Sul e do Leste da África

 

Documento do Departamento de Estado, obtido pelo escritor norte-americano William Engdahl, revelou que o Zimbábue tem “os maiores campos de gás até agora conhecidos no Sul e no Leste da África”.

Esses campos de gás, acrescentou o relatório, foram “descobertos recentemente na província de Matabeleland”. O mesmo documento enumera as riquezas minerais do país: ouro, platina, cromo, níquel, cobre e carvão. Distraidamente, esqueceram-se de incluir, como o escritor notou, “reservas de urânio ainda não quantificadas”.

terça-feira, julho 15, 2008

Rússia e China barram sanções contra Zimbábue no CS da ONU

 

“A situação no Zimbábue não ameaça a paz nem a segurança regional, muito menos a internacional”, afirmou o embaixador russo

A tentativa dos Estados Unidos de ampliar as sanções contra o Zimbábue, com base em não reconhecimento do processo eleitoral vivido recentemente pelo país africano que reelegeu o líder da libertação nacional, Robert Mugabe, foi barrada através do veto da Rússia e da China no Conselho de Segurança da ONU.

“A ONU teria criado um precedente perigoso, abrindo caminho para a interferência do Conselho de Segurança nos assuntos internos de Estados em conexão com eventos políticos em grosseira violação da Carta de Fundação da ONU”, destacou a delegação russa ao justificar sua decisão, tomada na reunião do dia 11 de julho, na sede da ONU em Nova Iorque.

“A situação no Zimbábue não ameaça a paz nem a segurança regional, muito menos a internacional”, acrescentou o embaixador da Rússia, Vitaly Churkin. “Estamos convencidos que os problemas internos do Zimbábue devam ser solucionados através do diálogo político entre o governo do Zimbábue e a oposição”, acrescentou Churkin.

G8

Depois de ter frustrada sua tentativa de aprovar críticas ao Zimbábue, sem obter aval da África do Sul e outros países do continente - chamados ao G8 para lhe fazer coro - e após colher nova derrota na ONU, o embaixador de Bush no organismo declarou que a posição Russa era “perturbadora” e tentou ameaçar:  “A posição da Rússia questiona sua confiabilidade como parceiro do G8”.

“As críticas dos EUA e da Inglaterra é que são inaceitáveis”, afirmou o embaixador russo. “Os representantes destes países declararam que o nosso voto traiu os acordos do G8 em Tóquio. É a representação dos EUA e Inglaterra de uma proposta de resolução inadequada, que fere a abordagem coletiva expressa no Japão, e que não menciona nenhum movimento como o que eles realizaram no Conselho de Segurança da ONU”.

A Rússia “está firmemente convencida de que os problemas do Zimbábue não podem ser resolvidos elevando-os à categoria de ameaça à paz e à segurança”, concluiu Churkin.

O veto da Rússia foi acompanhado pela China, cujo embaixador, Guangya Wang, afirmou: “A preocupação do meu governo é que a adoção desta resolução seria contraproducente para as iniciativas e esforços realizados pelos africanos para encontrar uma solução no Zimbábue. Neste momento, há negociações e diálogo na África do Sul que necessitam nossa ajuda, mas não com uma resolução deste tipo”.

A África do Sul, a Líbia e o Vietnã também se opuseram à resolução – que tampouco contou com o apoio da Indonésia, que preferiu se abster. Votaram com a proposta norte-americana, além da Inglaterra, Buskina Fasso, Costa Rica, Panamá, Croácia, Itália, França e Bélgica.

Com a proposta, os EUA queriam que as sanções impostas ao Zimbábue desde 2001 se ampliassem, que os ativos zimbabuanos fora do país fossem congelados e que o presidente Mugabe e outras 13 lideranças nacionais fossem impedidos de viajar para fora das fronteiras de seu país.

O embaixador do Zimbábue, Boniface Chidyausiku, destacou que a situação do país não representa uma ameaça à paz nem à segurança e portanto não compete sua discussão no Conselho de Segurança da ONU.

UNIDADE

Os governos dos EUA e da Inglaterra queriam anular a vitória da unidade do povo obtida no segundo turno das eleições presidenciais no Zimbábue, quando mais de 2 milhões votaram em Robert Mugabe, contra pouco mais de 200 mil a favor do candidato das duas potências imperiais, Morgan Tsvangirai. Pressentindo a derrota acachapante que o esperava, Tsvangirai retirou sua candidatura dias antes.

EUA e Inglaterra queriam expandir e legitimar através da resolução na ONU sua agressão ao Zimbábue com a imposição de sanções desde 2001, quando Mugabe comandou uma ampla reforma agrária distribuindo terras dos ex-colonos aos que compõem a maioria no campo.

Aliás, foram os próprios integrantes do partido de Tsvangirai que assumiram que a reforma seria desfeita uma vez conquistado o governo pelo MDC, seu partido. Declarações estas que serviram para alertar o povo para os riscos de volta do país à condição de colônia.

O intento de destruir a reforma agrária de Mugabe ficou evidente quando a própria resolução apresentada pelos EUA na ONU – cujo pretexto era a contraposição à violência governamental no processo eleitoral – destaca, no entanto, acusações ao ministro da Agricultura (no período em que ocorreu a reforma), Joseph Made, por supostamente “destruir o setor agrícola e o comércio rural”, acusação injusta e sem nenhuma relação com a alegada violência eleitoral que teria ocorrido durante o pleito recente.

O analista político zimbabuano, Maxwell Hove, em entrevista à revista Sunday Mail, publicada no país, defendeu a reforma e apontou as reais intenções dos que propuseram a resolução contra o país: “O que eles chamam de destruição da agricultura do Zimbábue foi o poder entregue ao povo. Assim sendo, as sanções são para atingir a reforma agrária e reverter suas conquistas”.

 

 

Governo Mugabe denuncia objetivo das sanções contra o país:

“Os EUA e a Inglaterra queriam usar a ONU para instalar um regime de marionetes em nosso país”

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, afirmou estar “feliz” com o veto da China e da Rússia à tentativa de imposição de mais sanções ao país.

O ministro da Informação do Zimbábue, Sikhanysio Ndlovu, transmitiu em nome do governo o reconhecimento ao veto dos dois países no Conselho de Segurança.

“Gostaríamos de agradecer aos países que nos apoiaram nas Nações Unidas, e gostaríamos de dizer a estes países que não vamos desapontá-los no encaminhamento para uma solução própria de nossos problemas” afirmou o ministro.

“O veto de ontem nas Nações Unidas foi uma vitória diplomática internacional, não apenas para o Zimbábue, mas para toda a África, a Comunidade para o Desenvolvimento do Sul da África e os países em desenvolvimento”, acrescentou.

Ndlovu também transmitiu o agradecimento “ao presidente sul-africano Thabo Mbeki, que se mostrou um líder por excelência ao não se curvar às pressões internacionais e às maquinações lideradas pelos EUA e Inglaterra”.

O ministro disse que a vitória foi “bem-vinda, pois EUA e Inglaterra queriam usar a ONU com a finalidade de abrir espaço para instalar um regime de marionetes a seu serviço em nosso país. Queriam praticar o racismo internacional na ONU e a entidade se recusou a isso. Não somos uma colônia britânica, estamos felizes de que a razão prevaleceu, e esperamos que tais coisas nunca aconteçam novamente”.

A África do Sul também saudou o veto da Rússia e China. Ronnie Mamoepa, porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores da África do Sul, declarou que seu país votou contra a proposta dos EUA em acordo com a recente decisão da cúpula da União Africana de “encorajar o presidente Robert Mugabe e líderes do MDC a iniciarem o diálogo para a estabilidade e reconciliação do povo do Zimbábue”.

 

Alfabetização chega a 95% no Zimbábue

“Não foram a ONU, os Estados Unidos, a Grã Bretanha nem o G-8 os que expulsaram a ditadura dos racistas do poder no Zimbábue, mas a luta armada de dois movimentos de libertação; um liderado por Joshua Nkomo e outro por Robert Mugabe, que em 1976 se uniram para criar a Frente Patriótica, proclamando a independência em 1980” afirmou Jorge Gómez Barata, professor, jornalista e pesquisador cubano, se referindo à tentativa fracassada de Washington de aplicar mais sanções contra o país africano.

“O que os EUA e Londres querem não é um Zimbábue mais democrático, eles querem é um Zimbábue servil”, assinalou, mostrando que o verdadeiro motivo dos ataques é que as enormes riquezas minerais que existem na região são defendidas por um governo soberano, que não aceita voltar ao domínio colonial.

O professor cubano lembra que esteve no país em 1980. “Depois de um complicado processo e de uma intensa luta armada, catorze anos antes que Nelson Mandela saísse do cárcere, em meio à guerra em Angola, proclamou-se a independência do Zimbábue e Robert Mugabe, um negro, assumiu a Presidência num dos dois países governados por brancos na África Negra, alma gêmea da África do Sul”, sublinhou.

Ressaltando as dificuldades, o peso na economia e os privilégios dos brancos num país em que o apartheid tinha sido banido, mas ainda o marcava, Gómez apontou “a habilidade e inteligência de Mugabe para aplicar políticas econômicas e sociais apropriadas, com as quais a população negra conquistava impressionantes avanços”.

O governo tornou a educação um direito humano básico, construiu muitas escolas nas áreas rurais e bairros pobres urbanos e, hoje, o Zimbábue é a nação com mais alto índice de educação de toda a África, com o maior nível de alfabetização que atinge cerca de 95%. “Numa década se obtiveram enormes avanços sociais e culturais, se reduziu a mortalidade infantil a 60 por mil nascimentos, se atingiu a maior média de vida de toda a África e se avançou na luta contra a fome e a pobreza”, disse.

O jornalista assinalou que, “agravadas pela desintegração da União Soviética, na década de 90, fortes sanções inglesas e norte-americanas trouxeram tempos difíceis para o povo do Zimbábue, cujo governo reagiu no mesmo espírito revolucionário que o manteve e o levou à vitória durante a luta de libertação nacional. Diante da hostilidade imperialista, tem buscado desenvolver soluções nacionais para fazer com que o país cresça”.

O governo do presidente Mugabe dirigiu um programa acelerado de reforma agrária a partir do ano 2000, vinte anos depois da independência. A demora em iniciar este programa foi provocada pela Constituição imposta sobre o Zimbábue durante as negociações de paz de 1979. Foram negociações que levaram às eleições e à independência do país. Porém, a Constituição continha cláusulas que proibiam a aquisição e redistribuição de terras nos dez primeiros anos depois da independência. Após expirar as cláusulas restritivas nos anos 90, as tentativas do governo de adquirir e redistribuir terra se depararam com uma intransigência dos fazendeiros e do governo inglês, que se recusou a liberar recursos de acordo com seus compromissos firmados. Em 1998, camponeses e veteranos da guerra de libertação deram início à ocupação das terras dos fazendeiros em todo o país.

As dificuldades de contar com sementes, água, fertilizantes, ferramentas, técnicos, máquinas, e créditos, fruto da ingerência externa, atrasaram o desenvolvimento, “circunstância aproveitada por uma oposição oportunista que nunca fez nada pelo país e agora assume os interesses dos descendentes dos colonialistas e acena aos EUA e a Londres”, denunciou o professor cubano, frisando que a política do Zimbábue “concerne só ao seu povo”.

terça-feira, junho 17, 2008

Mugabe denuncia ingerência dos EUA e Inglaterra na eleição presidencial do Zimbábue

“Os EUA entregam, por meios indiretos, US$ 7 milhões para a oposição”, denunciou o presidente Robert Mugabe


“Este país não voltará ao domínio nem ao controle dos colonizadores, nem direta, nem indiretamente”, afirmou o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, na sexta-feira, dia 13, durante o funeral de um dos principais comandantes luta de libertação do país, general de exército, Amoth Chingombe.
“Queremos mais uma vez deixar claro aos ingleses e americanos de que nós não nos sujeitamos”, acrescentou; “somos sujeitos de nós mesmos, pertencemos a nós mesmos”.
“Estamos preparados para lutar e qualquer um que queira minar o programa de reforma agrária, um marco histórico do Zimbábue, está buscando e vai encontrar guerra”, alertou Mugabe.
“No momento em que nos despedimos do general Chingombe, temos em mente que a soberania do Zimbábue, a bandeira que ele ergueu, está novamente ameaçada”, declarou o presidente.
“Tornamo-nos o foco da cobiça da Inglaterra e dos EUA. No momento em que me dirijo a vocês, Bush entrega US$ 7 milhões para que a oposição faça uso. Dinheiro enviado por meios indiretos”, denunciou.
“O primeiro-ministro, Gordon Brown, continua a intervir diariamente nos assuntos internos do Zimbábue como se fôssemos uma colônia permanente da Inglaterra”, afirmou.
“Como povo, devemos definir fronteiras claras para a governância. Não pode ser legal santificar e celebrar a instituição da oposição se sua política vai contra a própria essência da nacionalidade. Não pode ser justo quando interesses de potências estrangeiras hostis tentam virar de cabeça para baixo e subverter a vontade de nosso povo, em nome da democracia. Certamente, democracia não pode significar o direito de penhorar a soberania. A soberania não é e nunca poderá ser propriedade de um estrangeiro”.
Mugabe concluiu destacando que o general, a quem denominou de “instrutor dos instrutores” e que “ajudou a moldar o punho da resistência”, “onde quer que esteja agora, sorri, ao ver que a bandeira que ele uma vez levantou segue tremulando sem restrições nem impedimentos. Manter este juramento é o tributo mais adequado a Chingombe.

Hora do Povo

quarta-feira, abril 16, 2008

Matilde, fale-nos sobre o Quênia

Os racialistas daqui conhecem os de lá. Juntos, participam de redes internacionais de ONGs, patrocinadas pelas mesmas organizações e fundações filantrópicas, que promovem incontáveis seminários sobre diversidade, etnia e raça. Eles estiveram todos no Fórum Social Mundial de Nairóbi, no Quênia, há um ano. Duvido que os racialistas daqui não saibam que os de lá não acreditam na existência de “afrodescendentes”, pois reconhecem que não há algo como uma “cultura africana”. Mas os racialistas de lá, como os daqui, repelem os conceitos de nação e cidadania, dedicando-se, noite e dia, a traçar linhas divisórias entre etnias e a advogar políticas de ação afirmativa baseadas em classificações étnicas.
África, de fato, não existe a não ser como denominação geográfica. Figuras como uma “cultura africana” ou “africanidade” são artefatos ideológicos: a única característica geral da África é a diversidade. Mas essa diversidade expressa-se em múltiplos níveis, desde o pequeno clã até grandes nações. Ela está em fluxo permanente e não pode ser congelada nas categorias étnicas elaboradas pelos colonizadores, que também são artefatos ideológicos.
Nos tempos coloniais, sob os britânicos, o censo do Quênia adotou o procedimento de classificar os habitantes do país segundo critérios fabricados pela antropologia européia. Depois da independência, a etnia infiltrou-se no jogo político, convertendo-se em fonte de chantagens sem fim das elites tribais em busca de cargos governamentais e sinecuras públicas. Em 1999, quando o regime de Daniel Arap Moi afundava-se em uma crise terminal, o censo aboliu as classificações étnicas. O Minority Rights Group, ONG britânica financiada, entre outros, pela Fundação Ford, faz campanha ativa no Quênia pela classificação censitária das etnias – e oferece como subsídio o seu próprio quadro étnico do país, que é uma reconstrução atualizada da “etnografia científica” dos colonizadores.
Sob Jomo Kenyatta e Daniel Arap Moi, o Quênia conheceu quatro décadas de governos autoritários que exploraram episodicamente, em seu próprio proveito, a carta das divisões étnicas. Em 1992, Arap Moi incendiou as paixões étnicas no Vale do Rift, a mais diversificada província do país, jogando os nativos kalenjin contra os “forasteiros”, especialmente os kikuyu. O advento da democracia, em 2002, trouxe um governo amparado numa coalizão partidária interétnica e a promessa de um país para todos os seus cidadãos.
A carta étnica desapareceu momentaneamente da cena institucional, mas ressurgiu pelas mãos das ONGs internacionais. Os kikuyu, que habitam predominantemente as terras férteis da Província Central, formam a etnia mais numerosa e representam cerca de 22% da população queniana. Os racialistas de lá, manipulando inescrupulosamente estatísticas fiscais e de renda, acusam os kikuyu de se apropriarem da maior parcela dos recursos nacionais. Esse argumento, reproduzido à exaustão na mídia queniana, tornou-se um pretexto político eficiente quando a coalizão de governo, devastada pela corrupção e pelas rivalidades entre seus líderes, implodiu em duas facções inconciliáveis.
O presidente Mwai Kibaki é kikuyu. Seu rival, Raila Odinga, é luo. Eles não se lembravam disso quando eram aliados. Em 2006, o senador Barack Obama, que rejeita os conceitos de raça e etnia, visitou o Quênia, terra natal de seu pai. “Vocês começam a ver o ressurgimento das identidades étnicas como base para a política”, alertou, conclamando as pessoas a votarem em programas, não em etnias. Mas, então, Kibaki e Odinga já haviam redescoberto suas ancestralidades e identidades étnicas. De 27 de dezembro para cá, cerca de mil quenianos foram assassinados e 250 mil tornaram-se refugiados internos.
Os manuais de história dizem que as potências européia dividiram a África, a partir da Conferência de Berlim de 1885. Essa é uma idéia curiosa, pois nos tempos pré-coloniais existiam mais de 10 mil entidades políticas na África. Os europeus, efetivamente, provocaram uma brutal unificação da África, comprimindo essas milhares de entidades em poucas dezenas de Estados. Mas o colonialismo durou menos de um século, tempo insuficiente para exterminar a diversidade prévia, que se reinventa incessantemente no interior dos Estados africanos independentes. Essa diversidade é a fonte na qual se saciam os promotores das políticas étnicas.
Uma coisa é reconhecer as diferenças de língua, cultura, crenças e religiões, exigindo que sejam respeitadas, e outra muito distinta é fixá-las na lei e convertê-las em categorias políticas. A primeira atitude decorre do princípio dos direitos humanos. A segunda corresponde a uma operação de poder. As ONGs racialistas fabricam as armas políticas que são usadas nas “guerras étnicas”.
Não é verdade que os quenianos estão se matando como selvagens. A verdade é que milícias controladas pelos líderes políticos estão matando selvagemente os quenianos. Não fale sobre cartões de crédito, ex-ministra Matilde Ribeiro. Fale-nos sobre o Quênia.
Demétrio Magnoli

terça-feira, agosto 21, 2007

África

África - Radio Nederland, a emissora internacional e independente da Holanda - Português: "África"

Sudão

"O desafio de DarfurHans de Vreij e Pieternel Gruppen* 16-08-2007As Nações Unidas e os Estados membros da União Africana estão com um enorme desafio pela frente, após o Conselho de Segurança da ONU ter decidido enviar, pela primeira vez, tropas à região de Darfur. Será difícil encontrar tropas bem treinadas para compor o total de 26 mil militares que deverão ser enviados a Darfur, em sua maioria, talvez, militares africanos - um desafio logístico e político, já que terá que contar também com a colaboração do governo sudanês. "
Para saber mais clique no link abaixo:

O desafio de Darfur - Radio Nederland, a emissora internacional e independente da Holanda - Português

sexta-feira, julho 27, 2007

Barragens no rio Nilo ameaçam núbios

Barragens no rio Nilo ameaçam núbios - Radio Nederland, a emissora internacional e independente da Holanda - Português


Na região da Núbia, no norte do Sudão, há uma grande preocupação sobre a proposta da construção de três barragens no rio Nilo. O governo do Sudão se nega a falar sobre os custos e diz que nada foi decidido ainda. Mas os núbios temem que barragens inundem a área onde vivem centenas de milhares de pessoas.



Para saber mais Clique no Link

sábado, abril 07, 2007

Aniversario do genocídio do Rwanda

EuroNews : Aniversario do genocídio do Rwanda: "Aniversario do genocídio do Rwanda

A recordação do genocídio voltou ao Rwanda, onde, por estes dias se celebram os 13 anos de um dos maiores massacres étnico-políticos, da História contemporânea. Tudo começou a 6 de Abril de 1994 e, pouco depois, as contas eram fáceis de fazer. Mais de 800 mil mortos, entre as duas comunidades, os Tusti e os Hutus.

Milhares de pessoas passaram os anos seguintes a fugir à violência, mesmo quando isso implicava deixar tudo para trás, ou morrer de fome,e em plena fuga. O Rwanda transformou-se num horror, com despojos humanos, por todo o lado. Duas associações de defesa dos direitos humanos aproveitaram a efeméride para pedir aos países europeus que julguem os 37 suspeitos da autoria dos massacres, que se exilaram na Europa.

De acordo com as associações denunciantes, os presumíveis autores do genocídio vivem hoje na Bélgica, França, Dinamarca, Finlância, Alemanha, Itália e Holanda."

sábado, março 24, 2007

Líderes africanos x Mugabe

Líderes africanos x Mugabe

Mario de Freitas

22-03-2007

ZimbábueDiferentes líderes africanos se manifestaram, nesta semana, contra a política do governo do Zimbábue. Na visita que fez nesta terça-feira à Namíbia, o presidente da Zâmbia, Levy Mwanawasa, disse que vê o Zimbábue como um Titanic afundando por causa da atual crise em que o país vive com a repressão empreendida pelo governo de Robert Mugabe, no poder do país desde 1980.

O chefe de Estado da Zâmbia disse que o vizinho Zimbábue "se afundou em dificuldades econômicas" e que, quem pode, pula fora, como fizeram os passageiros do Titanic, numa tentativa de salvar suas vidas.

Os críticos ao regime de Mugabe, de 83 anos, acusam o presidente de repressão e corrupção, além de o incriminarem pela falta de comida e pela alta inflação do país, considerada a maior do mundo. O principal líder da oposição, Morgan Tsvangirai, foi internado com traumatismo craniano depois de ser preso pela polícia na semana passada, quando se preparava para um ato pacífico de protesto contra o governo zimbabuano.

União Africana
O chefe de Estado de Gana e presidente rotativo da União Africana, John Kufuor, disse, em Londres, que o continente estava "envergonhado com as ações de Mugabe e pediu para que o Zimbábue respeite os direitos humanos". Antes, as críticas vinham somente de líderes europeus, principalmente do premier britânico Tony Blair.

Desde que a violência aumentou, com a prisão e repressão de opositores ao regime, diferentes líderes africanos começaram a criticar abertamente o antigo líder anticolonialista Robert Mugabe. Esta foi a primeira vez que a União de Estados Africanos faz uma crítica pública contra o presidente do Zimbábue. No final deste mês, o país é ponto na agenda da SADC, Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral.

O governo da Zâmbia disse claramente que essa organização deve tratar da crise que envolve o país vizinho, o Zimbábue. Mesmo o bispo Desmond Tutu, herói da independência na África do sul e Prêmio Nobel da Paz, disse que os zimbabuanos foram abandonados pelos líderes africanos, pois ficaram adulando Robert Mugabe.

Pressão indireta
De acordo com o diretor do Centro Sul-africano de Estudos Políticos, Chris Landsberg, uma virada política no momento é impensável. "Há um grave problema, todos sabem disso, mas não se tem idéia de como resolver a questão.

Por enquanto, os líderes africanos vão tentar exercer pressão por baixo do pano. Atacar abertamente aos políticos de outros países não faz parte da tradição entre os dirigentes africanos. Ademais, segundo Landsberg, muitos políticos têm dúvidas.

Robert MugabeA tática de Mugabe (foto), ao afirmar que o Ocidente quer dividir os africanos, funciona. O fato dele ter iniciado sua carreira política apoiando a luta contra o regime branco de apartheid na África do Sul também tem um peso bastante forte nas considerações acerca do seu regime.

O presidente Mbeki teme ainda que milhões de zimbabuanos se refugiem na África do Sul, caso ele se manifeste contra o regime de Robert Mugabe. De acordo com Chris Landsberg, a África está cansada das promessas quebradas por Mugabe.

Segundo este analista, todas a vezes que o presidente do Zimbábue prometeu realizar eleições livres, faltou com a palavra. Resumindo: "A diplomacia não funcionou na hora de ajudar a solucionar os problemas e o Zimbábue vive o caos", conforme afirmou o presidente da Zâmbia, Levy Mwanawasa.

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sábado, novembro 25, 2006

Os conflitos dos últimos 25 anos




21/11/2006

Nelson Bacic Olic

Desde a Queda do Muro de Berlim em 1989, o sistema político internacional passou por grandes transformações, sem que isso fosse acompanhado de guerra, pelo menos de conflagrações bélicas de dimensão equiparável aos dois grandes conflitos mundiais que ensangüentaram o século XX.

A desagregação do império soviético e a unificação da Alemanha introduziram alterações profundas no cenário político europeu e mundial sem que houvesse guerra. A antiga Checoslováquia separou-se em dois países sem guerra. Embora a desintegração da Iugoslávia socialista tenha acontecido com grande violência e que conflitos continuem ocorrendo em várias regiões do Cáucaso (Chechênia, Geórgia) e da África subsaariana, mas estas são guerras razoavelmente localizadas, bem diferentes das “guerras globais”.

Há uma certa rarefação do fenômeno guerra, embora isso não queira dizer que o nosso mundo esteja menos afetado pela violência que no passado, mas tornaram-se raras as guerras convencionais que opunham uma nação à outra. O balanço que se pode fazer dos conflitos nos últimos 25 anos mostra como foram escassas as guerras entre dois Estados.

Além disso, numerosos pontos de crise e zonas sensíveis, onde existiria probabilidade de conflito como entre as duas Coréias ou as duas Chinas, não redundaram em guerra. As poucas guerras de conquistas que se verificaram não tiveram resultados positivos, no sentido em que nenhum Estado agressor, nenhum país que teve a iniciativa de desencadear operações militares com intuitos de conquista, salvo uma ou outra exceção pouco significativa, alcançou seus objetivos.

No passado, a maioria das guerras tinha motivações territoriais, fossem litígios fronteiriços, fossem reivindicações de territórios, fossem ambições expansionistas e terminavam muitas vezes pela ocupação e submissão de uns povos a outros. Atualmente, a conquista territorial parece ter caído em desuso e, quem inicia uma guerra de conquista, perde-a.

Isso ocorreu, por exemplo, quando no final da década de 1970, a Somália pretendeu conquistar a região do deserto de Ogaden da Etiópia, ou quando a Argentina tentou recuperar pela força as ilhas Malvinas então sob domínio britânico (1982), ou ainda quando o Iraque atacou o Irã para anexar a outra margem do Shatt-el-Arab (conflito que durou de 1980 a 1988) e, anos mais tarde quando o Iraque invadiu o Kuwait (1991). Mais recentemente, o mesmo aconteceu quando a Eritréia se dispôs a recuperar uma faixa de território dos etíopes (1998/2000). Em todos esses casos, as guerras fracassaram sem a vitória dos agressores.

Por outro lado, desde a China e o Vietnã até a Argélia e as colônias portuguesas da África, passando por Cuba e Nicarágua, as guerrilhas foram somando êxitos, nessa dupla vertente de lutas de libertação e de instauração de regimes revolucionários.

Mas essa promessa deixou de se cumprir a partir da década de 1980. A revolução sandinista da Nicarágua parece ter sido o último episódio de uma “luta popular prolongada” vitoriosa. A partir de 1980 nenhum movimento de guerrilha chegou ao poder pela via armada, com exceção da Frente Popular de Libertação da Eritréia, a qual mesmo assim se submeteu a um referendo de legitimação.

Ao mesmo tempo, um novo fenômeno despontou: a guerrilha passou a ser usada, não mais pelas forças de esquerda como forma libertadora, mas por correntes denominadas contra-revolucionárias, apoiadas pelo governo norte-americano, como foram os casos dos “fedahins” no Afeganistão, da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) em Angola, da RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana) em Moçambique e dos “contra” na Nicarágua...

Curiosamente, o conjunto destes conflitos armados teve como ponto comum a ausência de uma vitória militar. Eles não terminam graças a um triunfo de um dos lados, mas acabam ou por via de negociação pacífica, por desfecho político, ou simplesmente por um intenso desgaste das partes em luta.

O levantamento de várias dezenas de guerrilhas espalhadas pelos diversos continentes nestas últimas duas décadas prova que a proclamada força das armas não tem sido eficaz para a obtenção de vitórias militares.

Essa conclusão mais o fato da relativa raridade dos conflitos interestatais leva a pensar que estamos diante a uma tendência relevante da conflitualidade em nosso tempo: o desgaste da violência armada tradicional como forma de resolução de conflitos.